MUNDO DO CAVALO

 

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Origem do Jumento Pêga

 

O Pioneirismo de Burros e Mulas

INDICE

 

De: Julio Nottingham

Injustiçados pelos menos informados sobre o assunto, os muares , por muito tempo, tiveram fama de teimosos e perigosos, mas não é bem assim.
É verdade que a doma de um muar é diferente da doma de um eqüino e como dizem os domadores do gênero, “burro não amansa, se acostuma”.
Isso se dá ao fato de que eles não tem nada de burros, pelo contrário, são extremamente atentos e observadores e embora não possam competir com eqüinos em algumas funções são inigualáveis em outras, sendo capazes de aprender um caminho com muita facilidade e percorrer trechos acidentados e íngremes transportando pessoas e cargas com muito mais competência que os primos eqüinos. Perceber armadilhas naturais como buracos e animais peçonhentos também é uma das especialidades desses matreiros.
Existem diferentes personalidades entre os muares, claro. Em geral a mula é reconhecida como mais dócil e fácil de lidar.
Uma vez estando dentro de um esquema diário de trabalho e treinados por alguém competente, cumprem tarefas como percorrer longas viagens, tocar e laçar gado, transportar cargas e nas cavalgadas promocionais que acontecem por todo o país, burros e mulas marchadores caem cada vez mais no gosto dos cavaleiros.
A conhecida resistência dos muares, tão exaltada até por quem pouco sabe do assunto, é relativa. Acredito que o mais correto seria afirmar sua rusticidade, pois são de fato mais valentes que os eqüinos para enfrentar intempéries e até mesmo a escassez de alimento e água são melhores suportados pelos muares. Já falando em resistência do ponto de vista atlético, não conheço nenhuma comprovação concreta ou científica que os compare com os primos eqüinos em alguma modalidade onde a resistência seja o ponto principal.
Para quem tem um pé no campo e aprecia uma boa montaria é impossível ignorar esses animais, a não ser que o cavaleiro não conheça a realidade dos fatos funcionais e históricos que os envolvem. A morfologia peculiar, diferente dos eqüinos, também causa uma certa polêmica, no entanto, é possível encontrar criadores criteriosos  e animais selecionados segundo os melhores padrões de comodidade e morfologia,  unindo as qualidades do muar à estética mais refinada dos eqüinos.

 

 

 

 

 

Escultura da Gameleira
Criatório: Campeãs da Gameleira

Comodidade da marcha

Existem muares de marcha picada e batida extremamente cômodas. Quando oriundos de cruzamentos com éguas Mangalarga Marchador, por exemplo, costumam ser especiais.

Rusticidade / resistência

São menos suscetíveis a diferenças climáticas e temperaturas mais altas.
Comparado aos eqüinos, costumam suportam melhor à escassez de água e alimento.

Morfologia

O corpo de um muar é privilegiado pela cruza do assinino x eqüino, herdando muito do porte e da morfologia do eqüino (quando o cruzamento se dá entre o jumento e a égua) e algumas características fisiológicas, comportamentais e também morfológicas do assinino. Um exemplo disso é o sistema digital. Cascos menores (característica herdada dos jumentos) possibilitam ao muar, como já foi dito, percorrer trechos acidentados com mais sutileza, tropeçando menos e agarrando melhor ao chão, sendo capazes também de andar sobre caminhos pedregosos com mais eficiência, tateando o chão e encontrando o melhor lugar para firmar a passada.
As orelhas maiores, também herdadas dos jumentos, os colocam em vantagem tornando a audição mais aguçada.
Os jumentos da raça Pega, cruzados com éguas de raça geram muares de alta qualidade.

 

 

 

 

 

 

Irreverente - Jumento da raça Pêga

 Conotação rural e histórica

Quem já viu um burro tradicionalmente arreado, com uma sela campeira nordestina ou com um arreio cutiano ou banana, peitorais, cabeçada e rabicho de alpaca?

Sobre a sela um bom “cuchim” ou pelego de carneiro e um alforge de couro para colocar farinha, rapadura, gás, açúcar, sebo...?
Os arreamentos se diferenciam um pouco em função de características culturais de cada região, mas em geral são tipicamente sertanejos.
Quem não viu tem que ver e quem já viu, sabe do que estou falando.

Muitas rotas mercantes e caminhos de transporte de gado por todo o sertão brasileiro, do sul ao norte, foram abertos e estruturados no lombo de muares com apetrechos como estes que citei.

Os ciclos da cana de açúcar, do café e do cacau, as comitivas levando boiadas e a construção de estradas e barragens aconteceram no lombo de muares e eqüinos.
Montar um burro ou uma mula é antes de tudo estar montado nas mais tradicionais histórias sobre o tropeirismo e a colonização do Brasil, que fundaram cidades e transportaram riquezas. Muitos pontos históricos surgiram desse tropeirismo.

“Em Sorocaba/SP existiam grandes feiras durante todo o ano, ali sendo vendidos animais e gêneros para os garimpeiros e exploradores. Os comerciantes do sul deslocavam-se entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, levando bois, cavalos, mulas e gêneros regionais.
A necessidade de paradas, (às vezes longas para esperar que as chuvas parassem e os rios baixassem o nível) exigia pernoites e alimentação para os tropeiros, bem como pasto para alimentar os animais, surgindo, assim, comerciantes para atender aos viajantes. Até mesmo ex-tropeiros se instalavam em fazendas ao longo das trilhas, nascendo assim, pequenas povoações.
Durante anos, centenas de milhares de mulas, cavalos e bois foram transportados por essas trilhas. Esse deslocamento impulsionou o desenvolvimento desses locais, possibilitando a gradativa integração das economias regionais.
Muitos desses pequenos povoados e vilas tiveram seu surgimento e crescimento inicial baseados no tropeirismo e muitos deles se transformaram em grandes cidades”. (Wikipédia)

Mitos e crendices

Muares não transpiram (ou transpiram pouco) – isso não é verdade. Transpiram do mesmo jeito que os equinos. Se isso não ocorresse o organismo teria que compensar a ausência de troca térmica gerada pela transpiração aumentando a frequência respiratória e por consequência também os batimentos cardíacos. A isso dá-se o nome de Anidrose. Animais que tem esse tipo “doença” podem morrer se forem muito exigidos fisicamente.

Linha crucial – Dizem que a linha crucial, que forma o dezenho em cruz na cernelha dos assininos e muares apareceu depois que um jumento transportou Jesus Cristo ainda menino e o mesmo urinou sobre o jumento. Quem acredita em Mula sem Cabeça também acredita nisso.

Teimosia – Isso é relativo. A escolha de animais corretamente selecionados e genética apurada tem gerado animais dóceis. O muar tem o extinto de auto – preservação muito aguçado e observa seu domador e cavaleiro com muita atenção. Erros cometidos na doma, maus tratos e provocações são facilmente assimilados o que pode gerar reações e comportamentos que podem fazer parte da vida do animal para sempre. Assim como os equinos, muares são como HDs vazios. Gravamos nele o que queremos. Se gravarmos o ruim, fica o ruim. Se gravarmos o bom, fica o bom.

A escolha do muar de sela

É aconselhável que se esteja acompanhado de alguém com conhecimento e experiência no assunto. Porque?
Um burro ou mula mau domados podem ter manias como saltar, dar coice, morder, não deixar colocar a sela, não deixar escovar, casquear e por aí vai.
O primeiro quesito é este, se certificar de que a doma foi bem feita e que o burro ou mula estejam sendo montados com freqüência, pois, como foi falado no início, muares se acostumam e deixá-los muito tempo sem trabalhar pode significar sacrifícios extras na hora de retorná-los à lida. Existem exemplares que são extremamente mansos em qualquer situação, por isso, uma seleção criteriosa faz muita diferença.
Muares que fazem trabalho diário com gado em fazendas, por exemplo, já são bons candidatos a serem excelentes animais de sela.
A aquisição jamais pode ser feita sem um teste prático, claro. Em se tratando de burros e mulas, os argumentos do vendedor tem que ser testados e comprovados.
De um modo geral, saúde, aprumos, temperamento, idade, morfologia e funcionalidade devem ser analisados.
É imprescindível a apresentação dos exames de AIE, mormo e um hemograma completo, para se certificar da inexistência de uma possível babesiose e etc.
Encontrar ou não um muar bom de sela pode ser relativo. O comprador pode levar consigo um bom profissional para ajudar na seleção ou vai depender somente da relação entre qualidades do animal x expectativa e exigências do cavaleiro.
Verificar se o animal permite ser casqueado, ferrado, tosquiado e medicado também é importante. Facilidade no manejo geral é mais um ponto positivo.
Hoje em dia existe um mercado todo voltado para muares e é possível encontrar pequenos, médios e grandes criadores, sem contar o comércio informal entre proprietários.

Animais estão sendo selecionados, melhorados e comercializados nos quatro cantos do país, difundindo os muares de sela como uma opção excepcional para quem quer cavalgar com qualidade e com a sensação de estar montado sobre a historia, nas rotas de gado  e nas trilhas mercantes que construíram o Brasil.

 

Mario JULIO Nottingham Barros Leal
(85) 8805 1132
Iniciação de potros; Doma; Rédeas;
Vaquejada; Casq. e Ferrageamento;
Baias; Treinamento; Consultorias;
Cursos; Eventos.
Coord. Universidade do Cavalo / Ceará
julio@mundodocavalo.com.br
www.mundodocavalo.com.br

 

As mulas que marcham com qualidade

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A . P . Toledo – criador de marchadores e coordenador do Analoc-E

Ref: Analoc-E – Expo Nacional Campolina  BH 2005
toledo@toledohorse.com.br

As mulas de marcha fazem parte da história dos tropeiros, sobretudo no sudeste brasileiro e, atualmente, são muito apreciadas pelos “muleiros ou muladeiros” apaixonados pelo andamento marchado e que promovem os concursos de marcha, com premiações expressivas para os animais vencedores.
Embora muito apreciada e discutida a marcha das mulas não tinha sido estudada cientificamente, até agora, para possibilitar o entendimento da qualidade da marcha dos muares, segundo os seus principais parâmetros biomecânicos. Este conhecimento permite-nos sair do plano passional para o plano racional dos debates.


Fig. 1 – Muares em exposição da raça – BH 2005

Com as recentes análises de marcha feitas pelo Analoc-E na Expo.Nacional – BH-2005 verificamos a alta qualidade de marcha de algumas mulas classificadas como PECA (cruza de jumento Pega com éguas de marcha) com handicap acima de 9,0. Aliás, muito louvável a participação dos muares nas exposições especializadas das raças de eqüinos marchadores. Esta moda poderia ser seguida por outras associações de marchadores.
Os resultados estão na Planilha nº1, a seguir:
 

Planilha nº1 – Análise de marcha de 4 mulas na Expo-Nacional BH 2005 – Ref: Analoc-E
Cl maior do que 1,00(marcha picada) e CL menor do que 1,00 (marcha batida).


 
Fig. 2 – Diagrama de marcha batida da mula Hora Certa

Observamos no diagrama a qualidade da marcha batida completa, com handicap acima de 9,4,  velocidade de 13,5 k/h , rendimento de 1,97 m,  assimetria excelente com dissociações de 11,0% em cada metade da passada.

Comentários:
1 – Todas as mulas da planilha têm handicap acima de 9,0 (média de 9,78) caracterizando marcha completa de excepcional qualidade, com 4 apoios triplos , boa dissociação, boa  assimetria, bom rendimento e boa velocidade em cada passada;

2 – O apoio triplo médio foi de 15,9 %, correspondente a 86,5 ms (milésimo de segundo);

3 – O animal nº1 apresentou marcha picada de qualidade, com CL= 1,51. Os demais animais apresentaram marcha batida, também de qualidade, com CL entre 0,2 e 0,4);

4 – O rendimento médio foi de 2.,15 m, compatível com a média dos animais da  raça Campolina;

5 – A assimetria média foi excelente com movimento médio-lateral desprezível e igual a 1,33 %, variando entre 0,0 e 4 %;

6 – A freqüência média de passadas por minuto foi de 110,9;

7 – A duração média de cada passada foi de 544,5 ms;

8 – A velocidade média foi de 14 k/h;

9 – O apoio médio dos cascos durante a passada foi de 53,96 %;

10 – O diapasão médio das marchas (relação entre apoio e suspensão) foi de 1,17;

11 – A dissociação média foi de 15,85 % (86,3 ms).

 Conclusões:
As mulas de marcha constituem um patrimônio valioso no rebanho brasileiro de eqüídeos, tanto no trabalho diário de manejo do gado, quanto no lazer em cavalgadas e concursos de marcha.
Dizem os “muladeiros” que a mula boa de marcha com boa morfologia tem venda garantida no mercado nacional. Entretanto, com algum trabalho dirigido de marketing, promovido pelas associações e criadores, elas poderão ser, em pouco tempo, mais um produto de exportação.

 

Origem do Jumento Pêga

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Fonte: ABCJPêga

Conheça esta raça Brasileira de jumentos que está inserindo beleza e qualidade no rebanho nacional.

Segundo o Prof. Otávio Domingues, a presença de uma estirpe de asininos em uma região de Minas Gerais, constitui um fato que não pode causar estranheza a nenhum estudioso de tais assuntos. Os criadores mineiros demonstravam, por força das circunstâncias, aliada ao seu reconhecido conservadorismo, uma tendência para formação de raças locais, a tal ponto que podemos considerar esta característica como uma daquelas a distinguir o povo montanhês das demais populações brasileiras.
Sendo a produção de muares uma necessidade para a indústria da mineração, nos séculos XXIII e XIX ; era natural que se estabelecesse, nos vales mineiros, uma criação de asininos para produção de muares.
Esses asininos seriam forçosamente de procedência IBÉRICA, pois naquela época o provimento das nossas necessidades, nesse terreno, teve ali sua origem mais pronta e natural.
Estudando-se os jumentos selecionados pelos criadores mineiros, não será difícil optar pela hipótese de que seu tronco étnico originário é o Equus Asinus Africanus, do qual muito se aproxima.
A pelagem pampa não é típica da raça Pêga, mas sim da raça de jumento Italiano. Na raça Pêga também não incidem calçamentos e na cabeça somente estrela ou luzeiro.
A raça Egípcia é aquela que se acha menos longe do Jumento Pêga ( mineiro ) e dois são os pontos de contato indiscutível:
1. A ocorrência da pelagem branca, frequente no Jumento Egípicio, e que nenhuma outra variedade de jumento apresenta, seja do E. Asinus Africanus ou do E. Asinus Europeus.
2. A presença de sinais como estrêla e extremidades brancas, encontradas no jumento Egípicio.
Assim, no Jumento Pêga deparamos com a presença da cor branca, seja na pelagem, seja sob a forma de sinal na fronte ou nos membros, constitui um ponto seguro a considerar no estudo da filiação da Raça Pêga.
Admitiu-se uma origem mesclada, visto não ser aceitável uma introdução exclusiva do tronco Africano. Houve introdução de reprodutores das raças Italiana, Andaluza e Egípicia. O JUMENTO PÊGA veio repontar a prevalecer as características do Equus Asinus africanus, dando-lhe, entretanto, feições distintas que permitiram constituir-se em Raça.
De um modo geral, a população asinina brasileira é uma mescla dois dois tipos étnicos: Africanus - Europeus.
Assim o JUMENTO PÊGA representa a mescla fixada em Raça, e enobrecida pelas suas excepcionais qualidades.
Conta-se em Lagoa Dourada que o rebanho inicial da Fazenda Engenho Grande, adquirido do Padre Torquato, era constituído de dois jumentos e algumas jumentas que, desde então, não deixou penetrar neste rebanho outro sangue.

 

História da raça

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Guarany, um dos mais importantes reprodutores da raça Pêga na década de 50, nascido em 20.05.47, na Fazenda "Maracujá", no município de Lagoa Dourada.

Ao longo de alguns séculos, desde a época da colonização brasileira, os muares desempenharam, e ainda desempenham uma inestimável função sócio-econômica em prol do desenvolvimento de todas as regiões brasileiras, principalmente aquelas inseridas no contexto das explorações de cana-de-açucar, café e cacau.
O Jumento Pêga é uma raça de asininos brasileira , formada em Lagoa Dourada - MG. Os jumentos também são utilizados para obtenção de híbridos ( burros e mulas ), a partir de cruzamentos com as éguas. Os muares são animais ágeis, dóceis e resistentes, sendo de grande utilidade no transporte de cargas (carroça, cangalha, etc.), tração (arados, carpideiras, plantadeiras, etc. ), lida com gado, passeios, cavalgadas, concursos de marcha e enduros .
O desenvolvimento da mineração nos séculos XVIII e XIX nas Minas Gerais , fez crescer a preferência de desenvolver a produção de muares para atender àquela atividade .
O criador mineiro, talvez cercado por cadeias de montanhas, tornou-se também fechado para criar animais e fazê-los segundo a sua visão prática. Para vencer as grandes distancias rumo à corte , para manter a convivência entre as populações do campo e das cidades , para suprir as necessidades básicas das famílias, para transportar a produção da terra , fizeram do muar o auxiliar preferido àquela época.
A sociedade como um todo, tinha conhecimento da importância do burro e, via de conseqüência , do jumento como seu elemento formador .
Não escapou à clarividência do padre Manoel Maria Torquato de Almeida, pastor de almas do Arcebispado de Mariana, para que na sua Fazenda do Cortume, situada nas fraldas da Serra de Camapoan no município de Entre Rios de Minas, em 1.810, uma criação selecionada de jumentos nacionais. A visão deste religioso, de origem portuguesa, culto e operoso , vislumbrou um horizonte de maior importância para a pecuária nacional. Por certo, utilizou uma alta mestiçagem entre as raças italiana e egípcia e uma posterior seleção dos melhores animais para praticar os acasalamentos entre eles .
As raças têm as suas histórias e lendas. A raça Pêga também tem as suas. O nome Pêga tem origem no aparelho formado por duas argolas de ferro, formando algemas, com o qual os senhores prendiam pelos tornozelos os escravos fugitivos. Os jumentos que deram origem à raça , eram marcados a fogo pelos seus proprietários, com uma marca figurando aquele aparelho. Assim, todos os animais deste grupo original passaram a ter a marca Pêga, e reconhecidos como raça com este mesmo nome .
O Padre Torquato em 1847 , vendeu ao Coronel Eduardo José de Rezende , proprietário da Fazenda do Engenho Grande dos Cataguazes, no município de Lagoa Dourada, dois machos e sete fêmeas de seus selecionados jumentos da raça Pêga, já famosa num vasto raio da região .
O Coronel Eduardo continuou a obra de melhoramento da raça com o mesmo carinho e entusiasmo do seu iniciado, voltando especial cuidado para a padronização do seu grupo de animais . Ampliou o seu criatório. A criação de jumento do Cel. Eduardo, com a sua visão intuitiva de melhorador, com a sua prudência mineira, com o seu idealismo, pode ser considerada como o berço e o marco concreto da formação da raça Pêga, hoje difundida por todo o território nacional e oficialmente reconhecida .
Para confirmar a visão de idealista do cel. Eduardo, há noticia que fez doação de um lote de jumentos a todos os seus filhos, talvez, com a intenção de que o seu trabalho não pudesse ser perdido por fatores ocasionados da vida e ficar, assim, preservada a história e a formação da raça ligada à família .
Aos quinze dias do mês de agosto de 1.947, no antigo Parque da Gameleira (atualmente Parque "Bolivar de Andrade"), na cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, às 15:00 horas, estando presentes um grupo de criadores, em reunião, resolveram fundar, com personalidade jurídica, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE JUMENTO PÊGA, sendo constituída uma Diretoria sob a presidência do Cel. Eliziário José de Resende .
A raça Pêga é hoje , o orgulho da pecuária nacional. O Pêga é o jumento que se afirma , tornando-se o jumento da "PREFERÊNCIA NACIONAL" .
texto extraído do Estatuto da ABCJP

 

Hábitos de comportamento

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Apesar de teimosos, os jumentos são muito inteligentes, demonstrando boa memória, o que para um bom tratador facilita o manejo da criação; Os muares demonstram grande sensibilidade da audição, assimilando com facilidade e rapidez os comandos vocais no processo da doma de sela e nos serviços de atrelagem;
O tato é outro sentido muito desenvolvido nos muares, principalmente através dos cascos. É raro um muar pisar em terreno desconhecido com algum grau de periculosidade;
Alguns muares que durante o dia marcham com orelhas em descanso, à noite estas levantam-se, adquirindo firmeza e mobilidade, indicando maior atenção do animal, ao pisar sobre o que seus olhos não conseguem enxergar;
A inteligência desenvolvida é uma característica de burros e mulas, em contradição ao sentido dos nomes que receberam;
Curiosa também é a contradição do nome "mata-burro" - rampas em cimento, ferro ou madeira, em substituição às pequenas pontes. Não há registro de qualquer muar que já tenha caído em um mata-burro, ao contrário de outros animais e do próprio ser humano...;
Os muares são imbativeis na eficiência com que se locomovem ao longo de trilhas estreitas, sinuosas, pedregosas, acidentadas e íngremes em regiões montanhosas;
Quem já viu pela primeira vez o trabalho de muares transportando cargas altas, pesadíssimas e desconfortáveis, nas regiões canavieiras e cacaueiras do nordeste, certamente se impressionou pela firmeza, destreza e força destes animais;
Da mesma forma, é de se admirar a inteligência, habilidade e desenvoltura de uma tropa de burros cargueiros seguindo o líder (madrinha com sinetes), com aqueles enormes balaios carregados, geralmente de milho ou café, para descarga nos paióis ou tanques de recepção do café bruto;
Sob quaisquer circunstâncias de perigo o muar reage com prudência, e não com reações afoitas, típicas do equino. Essa afirmativa pode ser comprovada em uma cavalgada urbana. Carros, sons e pessoas assustam bem menos os muares;
Nas cavalgadas, a regularidade e a resistência dos muares são impressionantes;
Ao longo da doma, o muar solta calor aos poucos, ao contrário do equino, que tende a mostrar calor logo na primeira montada;
Os jumentos, pela rebeldia natural e "queixo duro", barras menos sensíveis, reagem com rebeldia ao processo da doma e na equitação;
Os jumentos são preguiçosos, linfáticos e de pouco calor;
O muar demonstra um incrível senso de direção e "malandragem". Gosta muito de acompanhar uma "madrinha". E quando solto longe da fazenda onde vive é capaz de viajar quilômetros para retornar, passando por vários obstáculos, como cercas, matas, rios, etc. E quando não quer trabalhar, procura esconderijos em seu pasto... Na verdade, como pode ser entendido, Burro não tem nada de burro, só o nome.

Aspectos reprodutivos de assininos

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      A estação de monta natural dos asininos é a mesma dos eqüinos, iniciando na primavera, com o pique da fertilidade coincidindo com os meses de verão e o declínio da fertilidade acontecendo nos meses de outono e inverno. Como os jumentinhos são muito sensíveis aos períodos de chuva intensa e umidade, os melhores meses para cobrições das jumentas são de janeiro a Abril.
 
      A jumenta atinge a maturidade sexual por volta dos 5 anos de idade. Os cios férteis já são de ocorrência freqüente a partir dos 18 meses de idade, mas devem entrar na reprodução somente a partir dos 36 meses de idade, a fim de não prejudicar o desenvolvimento da fêmea. A taxa de crescimento é mais lenta nos asininos.. Além da idade, outros fatores que devem ser considerados na tomada de decisão para se iniciar o serviço reprodutivo das fêmeas são o porte, estrutura corpórea, largura entre ancas, condição física, participação em exposições. É essencial que as jumentas iniciem a estação de monta ganhando peso. A sub-nutrição é a principal causa de sub-fertilidade.
 
      O cio da jumenta é bastante semelhante ao da égua em termos de duração sinais. Mas há uma diferença marcante, a jumenta masca, mantendo a cabeça erguida e o pescoço alongado. É como se estivesse com um chicletes na boca.
 
      A monta ainda mais praticada na espécie é a natural, controlada. Em seguida, vem o sistema de monta natural a campo e, por ultimo, a monta controlada artificial. A inseminação artificial e transferência de embriões ainda são práticas pouco freqüentes nos asininos, apesar de tão viáveis quanto nos eqüinos.
 
      A reprodutor atinge a maturidade sexual por volta dos 5 anos de idade. Porém, pode ser iniciado na reprodução a partir dos 30 meses de idade, de forma moderada, máximo de 10 jumentas na estação de monta. Aos 3 anos de idade, o reprodutor poderá servir entre 15 a 20 jumentas. Aos 4 anos de idade, de 20 a 25 e, a partir dos 5 anos, poderá servir um máximo de 40 fêmeas ao longo da estação de monta. Esta recomendação é importante, a fim de garantir a obtenção de taxas razoáveis de fertilidade, a qual é mais reduzida nas jumentas (entre 70 a 80%), em relação às éguas. Todavia, interessante é que tende a ser mais fértil do que o garanhão no acasalamento com éguas.
 
      O jumento é mais lento nas cobrições, em comparação ao garanhão e também mais violento. O numero de saltos não deve ultrapassar a dois por dia, em intervalos mínimos de 6 horas, devendo ser realizados em dias alternados, pois os espermatozóides sobrevivem até 48h no trato genital feminino.
 
      O jumento é de contenção mais difícil que o garanhão, pela sua indolência, teimosia e força. Alguns somente cobrem jumentas, demonstrando indiferença em relação às éguas. Em alguns casos, a presença de uma jumenta como isca pode estimular a ereção. O ideal é que o jumento aprenda a servir éguas desde jovem, no início de suas experiências sexuais. Melhor ainda é quando criado junto com éguas, sem contato com jumentas.
 
      Após a ultima cobrição, e término do cio, sucede-se um período de diestro, com duração média entre 15 a 16 dias. Caso não houver repetição de cio, é provável que tenha ocorrido fecundação do óvulo e subsequente migração do embrião para o interior do útero, o que ocorre entre o 5o e 7o dias. A confirmação definitiva da prenhez poderá ser feita por volta dos 30 dias ou até antes, com o auxilio da ultra-sonografia. Na jumenta, a gestação é mais longa, em relação à égua. Tem duração de 12 meses. Portanto, em média, tem um mês a mais. Mas se a égua carregar no útero um feto híbrido, a gestação será intermediária, de 11 meses e meio. O mesmo comprimento da gestação será observado quando for a jumenta que leva no ventre um produto híbrido, conhecido como Bardôto (a).
 

Padrão Racial

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I - Finalidade - Reproduzir jumentos que , quando cruzados com eqüinos , produzam muares , ou seja , híbridos , marchadores , ágeis, dóceis , fortes , resistentes e destinados a sela , serviço , tração , lazer e enduro.
II - Aparência Geral: Aparência nobre, ativa, linhas harmoniosas e definidas.
1) Pelagem: Serão admitidas as pelagens pêlo de rato, ruã e ruça, sempre com a faixa crucial e a listra de burro .
2) Altura: Para Machos: mínima de 1.25 m. Para Fêmeas: mínima de 1.20 m.
3) Forma: sempre proporcionais, tronco relativamente longo e profundo, tórax amplo, membros bem , Porte médio, membros bem aprumados .
4) Constituição: Forte e de condições sadias.
5) Qualidade: Ossatura forte , seca e boas articulações, pele fina, coberta por pêlos finos.
6) Temperamento: Demonstrando vivacidade com expressão ativa e dócil.
III- Cabeça e Tronco
1) Cabeça: Seca, longa, proporcional, harmoniosa, despontada para o focinho, de forma trapezoidal.
2) Perfil: De suavemente convexilíneo para retilíneo.
3) Olhos: Vivos e expressivos.
4) Orelhas: Grandes, firmes, bem dirigidas e implantadas, paralelas, de largura média, textura fina, lanceoladas ou atesouradas.
5) Boca: Bem rasgada, lábios móveis, firmes e justapostos.
6) Narinas: Largas e flexíveis.
7) Pescoço: Proporcional a cabeça de forma paralela e musculosos, sem ser empastado, bem ligado à cabeça e com inserção mediana ao tronco.
IV - Tronco
1) Cernelha: Definida e comprida, de largura proporcional e musculosa, de preferência em nível com a garupa.
2) Peito: Profundo, amplo e não saliente.
3) Dorso e Lombo: Dorso médio a longo e lombo curto . Ambos retos, revestidos de boa musculatura.
4) Costelas: Fortes, separadas e bem arqueadas.
5) Ancas: Simétricas e musculosas.
6) Garupa: Comprida, larga, musculosa, bem inserida ao lombo e ligeiramente inclinada.
7) Cauda: Curta, bem inserida, limpa, pelos reduzidos, inserção média.
8) Órgão Genitais: Testículos descidos, volumosos, iguais e móveis no interior da bolsa.
V - Membros
1) Espáduas: Médias a longas, musculosas, oblíquas com fácil movimentação.
2) Braços: Médios, fortes, secos e articulados.
3) Antebraços: Retos, longos e musculosos.
4) Joelhos: Grandes e na mesma direção do antebraço e bem articulados.
5) Coxas e Pernas: Cheias e musculosas.
6) Jarretes: Secos, bem articulados, firmes e paralelos.
7) Canelas: Curtas, finas , com tendões fortes e isentas de taras.
8) Boletos: Largos e bem articulados.
9) Quartelas: Médias, oblíquas e bem articuladas.
10) Membros do Conjunto: Isentos de taras e bem aprumados na estática e em dinâmica.
11) Cascos: Resistentes, de preferência escuros ou amarelos , muralha lisa, talões altos .

VI- Andamento
Marcha de tríplice apoio natural , espontânea , avante , picada ou batida , com deslocamentos alternados dos bípedes em lateral e em diagonal.

VII - Desclassificação:
1) De Pelagem: Albino ( gázeo )
2) De Olhos: Albinóide, deficiência congênita hereditárias de visão.
3) De Temperamento: Vícios considerados graves e transmissíveis, agressivo ou linfático.
4) De Conformação
a) Cabeça: Curta, de perfil concavilíneo ou excessivamente convexilíneo.
b) Orelhas: Mal inseridas e dirigidas ( cabanas ).
c) Lábios: Relaxamento das comissuras ( belfo ).
d) Pescoço: De cervo ou cangado.
e) Linha Dorso Lombar: Cifose ( de carpa ), lordose ( selado ), escoliose ( desvio lateral de coluna )
f) Membros: Taras ósseas e defeitos graves de aprumos.
g) Cascos : Totalmente brancos .
h) Aparelho Genital: Defeitos congênitos, hereditários e aparentes. Criptorquidismo, monorquidismo, hipoplasia e hiperplasia.
i) Animais com a altura da garupa superior 5 cm, à da cernelha.
j) Prognatismo, quando ultrapassar a face triturante da arcada dentária.

VIII - Doenças congênitas, hereditárias e transmissíveis .

IX - Trote.

 

Produto tipo exportação

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Jumento Pêga pelagem Ruã
Inúmeros são os atributos zootécnicos que fazem do jumento Pêga e seus híbridos autênticos produtos tipo exportação, genuinamente brasileiros e únicos na industria mundial da equideocultura:

O andamento marchado do jumento Pêga;
Os membros de estrutura óssea peculiar aos animais de sela, diferenciando-se da estrutura óssea mais volumosa e grosseira dos animais com aptidão para a

tração;
O refinamento da conformação, com destaque para a cabeça mais refinada em relação às outras raças;
Geralmente as orelhas são mais longas, de melhor formato, implantação e direção;
Os muares, quando bons marchadores, assumem aptidões mistas, para serviço e lazer;
Os muares "Pêga" geralmente apresentam um excelente temperamento de sela.

Uma das características do jumento Pêga é a sua conformação harmoniosa., com destaque para o refinamento da cabeça e orelhas.

O muar Pêga tem como diferencial zootécnico a sua marcha natural de tríplice apoios bem definidos, conferindo boa comodidade ao andamento.

Dentre as várias qualidades do jumento Pêga, e que são transmitidas aos muares , podemos destacar :

a- Andamento: a maior qualidade transmitida pelo Jumento Pêga aos muares é a marcha de tríplice apoio, cômoda, macia e confortável;
b- Rusticidade: são muito rústicos, adaptando-se em qualquer região e clima. São pouco exigentes em regime de criação extensiva, baixa mortalidade, baixo consumo em relação aos equinos. Portanto, são animais muito econômicos;
c- Inteligência : possui memória aguçada.
d- Longevidade : vivem em média de 25 a 30 anos;
f- São resistentes à AIE ( ANEMIA INFECCIOSA EQUINA) ;
g- Resistência : os muares são muito utilizados no Brasil para caminhadas de longas distâncias, 80 a 100 km/dia e trabalhos diários de esforço intenso;
h- Precocidade : Machos e fêmeas já entram em reprodução a partir dos 15/18 meses de idade.

 

Muares

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Os craques da sela

Desmentindo a fama de teimosos e encrenqueiros, mulas e burros de boa linhagem e passo macio vêm conquistando prestígio entre peões e cavaleiros.
Por Verena Glass
Fotos Ernesto de Souza

 

 

 

 

 

Burros, mulas e jumentos ajudaram durante muito tempo a compor a paisagem das propriedades rurais brasileira, nas quais formavam o principal suporte do serviço realizado por tração animal. Hoje, mesmo sem o grau de importância de outrora, devido ao avanço da mecanização agrícola, esses animais ainda são úteis na propriedade e continuam conquistando entusiastas. É o caso do veterinário Marco Antônio Farto, o Marco Ventura, proprietário da Fazenda Ventura, em Cafelândia, cidade da região noroeste do Estado de São Paulo. Há 15 anos Marco resolveu investir na criação e no melhoramento de muares (mulas e burros) e asininos (jumentos) e fez da fazenda um dos principais criatórios paulistas desses animais juntamente com a produção de café, laranja e gado nelore em seus 1.250 hectares de extensão.

O status dos muares vem crescendo e, nos últimos anos, burros e mulas de sela se transformaram em objetos de desejo no mundo rural. No interior paulista, cresce o número de rapazes que preferem desfilar numa bela mula a montar um cavalo de raça, afirma Marcos Ventura. Para impressionar as garotas? "Montar um burro dá muito mais charme ao cavaleiro. Mostra mais macheza", explica Antônio Carlos, o filho de 16 anos de seu Cirso Paulino, o mais antigo funcionário da fazenda e maior domador de burros da região.

A história da Fazenda Ventura e de seus muares começou no início deste século, mais precisamente em 1917, quando o avô de Marco Ventura comprou 2.500 hectares em Cafelândia para plantar algodão e café e criar gado. Aos 12 anos, seu Cirso iniciou sua carreira nas comitivas que traziam gado do Mato Grosso e de Goiás para São Paulo, montando uma mula por até 80 dias seguidos. Aos 15, ele começou a domar os animais para a fazenda, e hoje, aos 59 anos de idade, compartilha com Ventura a profunda admiração por esses animais de montaria que, segundo os entendidos, tratam com maior respeito a parte mais carnuda do corpo e as costas dos seus cavaleiros. "Só quem teve que passar dias no lombo de um animal sabe dar valor ao passo macio de uma boa mula marchadora.

O passo da marcha, que é quando as patas traseiras ultrapassam a pegada das patas dianteiras, não judia tanto do cavaleiro como os socos do trote ou do galope de um cavalo. É claro que também existem cavalos marchadores, mas os muares têm resistência muito superior, podendo facilmente fazer 60 quilômetros em um dia", explica Ventura. Atualmente, os muares, que foram a grande força motriz do desenvolvimento do interior paulista, transportando cargas, sendo a montaria de tropeiros e peões de comitiva e servindo de força de tração nas lavouras, podem ter cedido as estradas para os caminhões e os campos para as máquinas agrícolas, mas sua presença nas romarias e cavalgadas de hoje tem crescido muito, e na lida a campo sua agilidade e resistência os mantêm imbatíveis.

Nascido e criado na fazenda, Ventura herdou do avô e do pai o gosto pelos muares, que sempre foram os principais animais de trabalho da família e dos peões. Com a crescente procura de bons animais nos últimos anos, no entanto, resolveu melhorar a sua linhagem de muares e asininos para aprimorar a qualidade do plantel. Animais híbridos e estéreis, burros e mulas são frutos do cruzamento entre jumentos e éguas. No caso do cruzamento entre garanhões e jumentas, o filho é chamado de bardoto. Mas é do jumento que os muares herdam as características predominantes, como gênio, resistência e andadura. Criados ainda há pouco a partir de jumentos sem linhagem e éguas inferiores, esses muares "pangarés" muitas vezes desenvolviam um gênio difícil, o que lhes valeu a fama de encrenqueiros.

Atualmente, porém, os criadores selecionam reprodutores - jumentos e éguas - com características que valorizam os filhos, como força para tração, docilidade, maciez do passo, agilidade, estatura e coloração do pêlo. Como matrizes, Ventura está utilizando éguas campolina, manga-larga e quarto-de-milha, animais que também destina para venda. Das raças de jumentos, cria as mais comuns no Brasil: o pega, o jumento brasileiro e o italiano (também conhecido como espanhol). Mas são a agilidade, a maciez do passo e a resistência do peludo jumento italiano que lhe valeram a preferência do criador, já que a maior parte dos muares da fazenda é treinada para a lida no campo. "Gostaria muito de poder utilizar a tração animal nos meus 150 hectares de café e laranja, faria uma economia de até 70% nos custos de produção. Meu avô formou 400 mil pés de café nos anos 50 usando tração animal.

O problema é que não encontro mais mão-de-obra para esse tipo de trabalho", explica o fazendeiro. Para a lida com suas 1.200 cabeças de nelore, no entanto, a resistência dos muares os torna ideais. "Aprendem rápido, são ágeis e flexíveis e o peão pode montar o mesmo animal por um longo período do dia sem prejudicá-lo." Outra vantagem desses animais, que na Fazenda Ventura vivem soltos no pasto, é a exigência menor de trato, se comparados aos cavalos. "Para cada hectare de pasto, coloco uma mula ou um burro. Se der ração, coloco dois. Meus muares têm custo 50% inferior ao dos meus cavalos", afirma Ventura.

Atualmente, a venda de mulas e burros da Fazenda Ventura bate de longe os negócios com eqüinos. "Para cada cavalo, vendo quatro muares, cerca de 20 por ano. Com preço que varia de 1.000 a 2 mil reais por animal, venho tendo renda média de 25 mil reais por ano. Com custo de produção de cerca de 15 mil reais, o lucro até que é bom", diz o criador.

 

Burros e Mulas

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FILO: Chordata
CLASSE: Mammalia
ORDEM: Perissodactyla
FAMÍLIA: Equidae

A 50 anos – Brasil no Aconcagua no lombo de um burro

Como é possível produzir um animal grande e forte como um cavalo e, ao mesmo tempo, resistente, trabalhador e dócil como um asno? A resposta é cruzar o jumento com a égua para obter um híbrido (animal que se origina do cruzamento de espécies diferentes). Os produtos dessa hibridação são conhecidos vulgarmente pelos nomes de burro, mulo e mula. A prole, que herda o tamanho e a constituição da mãe, é mais parecida com o cavalo. Cruzando uma jumenta com um cavalo obtém-se o bardoto. Este é mais difícil de criar e tem a desvantagem de ser menor.
Além da força, a mula tem uma capacidade de equilíbrio admirável, que lhe possibilita andar pelos caminhos mais íngremes. Ela freqüentemente aparece como heroína nos filmes de carga na Europa e nas Américas, principalmente nos campos de cana e algodão e nas minas.

O burro não consegue produzir espermatozóides por isso é estéril. A mula também é estéril porque não pode produzir óvulos. Tanto o macho quanto a fêmea não têm os órgãos genitais bem desenvolvidos, o que dificulta o acasalamento.

 

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