MUNDO DO CAVALO

 

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Vocabulário equestre

INDICE

Vocabulário equestre

A

  1. Acima da mão: evasão ao contato, em que o cavalo levanta a cabeça e empurra o focinho para frente, forçando a mão do cavaleiro.
  2. Ajudas: sinais usados pelo cavaleiro que indicam ao cavalo aquilo que deve fazer. (Ver também ajudas naturais e ajudas artificiais).
  3. Ajudas artificiais: objetos tais como chicotes, esporas e gamarras que são usadas pelo cavaleiro para reforçar as indicações que dá ao cavalo.
  4. Ajudas naturais: indicações que são dadas ao cavalo apenas com as pernas, mãos, peso do corpo e voz do cavaleiro.
  5. Albino: um tipo de pelagem que apresenta pele sem pigmento, branco puro, e olhos translúcidos.
  6. Algeira: termo utilizado para designar uma égua estéril.
  7. Almofaça: ferramenta de limpeza de metal ou borracha que consiste de várias lâminas dentadas concêntricas e que serve para limpar o pelo do cavalo da sujidade mais entranhada.
  8. Alta Escola: equitação clássica.
  9. Altura: a altura dos cavalos mede-se no garrote (base do pescoço, onde começa o dorso) que é a parte mais alta do corpo do cavalo quando este baixa a cabeça e o pescoço. 
  10. Amazona (montar à): técnica de montar  a cavalo com as duas pernas do lado esquerdo do cavalo utilizada pelas senhoras no tempo em que se considerava deselegante que estas montassem escarranchadas (com uma perna de cada lado). Pratica –se com uma sela especial e hoje em dia constitui praticamente uma modalidade equestre ou uma arte.
  11. Amble: uma andadura (não um andamento) lento a dois tempos em que os dois membros do mesmo lado avançam ao mesmo tempo.
  12. Antemão: a parte do corpo do cavalo que está à frente do cavaleiro – cabeça, pescoço, espáduas e membros anteriores.
  13. Ante-olhos: um par de peças de cabedal que se fixam na cabeçada e que limitam o campo de visão do cavalo obrigando-o a olhar sempre em frente.
  14. Aprendiz: um jockey em treino para ser profissional.
  15. Arcada de trás: a parte detrás do arreio (levantada).
  16. Ares acima do chão: movimentos de alta escola em que o cavalo levanta os membros anteriores do chão ou os anteriores e os posteriores (ver balotada, cabriola, corneta, garupado, levada).
  17. Arreios: conjunto dos aparelhos que se colocam sobre o cavalo e que permite ao cavaleiro utilizá-lo com conforto e segurança.
  18. Assentadura: ferida provocada pela fricção dos arreios com a pele do cavalo.
  19. Atrás da mão: evasão ao contacto, em que o cavalo coloca o changro atrás da vertical.

B

  1. Baio: cavalo de pele escura com pelo que pode ir do castanho até ao amarelo ou amarelo-torrado, com a crina e a cauda pretas, os membros pretos da articulação média para baixo e um risco preto que vai do garrote (onde termina a crina) até ao nascer da cauda.
  2. Balotado: ar de escola, em que o cavalo recua colocando as pernas debaixo da massa e depois volta para a frente com as pernas recolhidas antes de se receber com os quatro membros no chão ao mesmo tempo. 
  3. Barbela: uma corrente de metal que se prende unindo as duas cambas do freio por trás do queixo do cavalo e que fazem o efeito de alavanca pretendido neste tipo de embucadora.
  4. Barrage: desempate das provas de obstáculos.
  5. Barras: obstáculo construído com pranchas de madeira em vez de varas cilíndricas (cada prancha tem uma largura de cerca de 30cm).
  6. Bigorna: bloco de ferro pesado com a face superior lisa, onde o ferrador (jurreiro) molda as ferraduras que irá colocar nos cavalos.
  7. Bridão: a mais antiga e mais simples embocadura que consiste num bocado articulado com uma argola em cada extremidade onde se fixam tanto as faceiras como as rédeas.
  8. Bronco: um cavalo por desbastar ou mal desbastado.
  9. Bronco Riding: uma das provas dos rodeos. A única peça do arreio que se coloca no cavalo é uma tira de cabedal que se aperta pelo meio, de onde sai uma pega para a mão do cavaleiro.
  10. Brumby: termo australiano para designar cavalo selvagem.
  11. Brussa: uma escova compacta de pelos muito curtos que se usa para retirar o pó debaixo do pelo do cavalo e para massajar a pele.
  12. C
  13. Cabeçada: parte dos arreios do cavalo que se coloca na cabeça.
  14. Cabeçada de manjedoura: cabeçada sem embocadura que se serve para prender o cavalo à manjedoura ou a qualquer argola ou para o conduzir a mão.
  15. Cabeçada sem embocadura: qualquer uma da variedade de cabeçadas sem embocadura, com a qual o controlo é conseguido através de pressão sobre o changro e o queixo do cavalo e não dentro da boca.
  16. Cabeção de passar à guia: semelhante a uma cabeçada de mangedoura mas com três argolas na focinheira, que permitem colocar a guia em três posições diferentes.
  17. Cabriola: um ar alto em que o cavalo recua com os posteriores bem situados debaixo da massa e depois salta para cima e para a frente ao mesmo tempo que dá um coice para trás com os dois membros posteriores antes de se receber com os quatro membros ao mesmo tempo bem reunidos.
  18. Cadência: o ritmo do movimento do cavalo.
  19. Camas: podem ser feitas de palha, aparas, papel cortado, e servem para recobrir o chão do local onde o cavalo dorme, para proteger quando se deita e para manter aquecido.
  20. Canesson: tipo de focinheira mais simples de todas (veja também cabeção de passar a guia).
  21. Cangocha: um salto para o ar dado pelo cavalo – normalmente com intenção de se livrar do cavaleiro no qual o cavalo arqueia o dorso e se recebe com as mãos hirtas e a cabeça muito baixa.
  22. Cardoa: escova de pelos longos que serve para libertar o pelo do cavalo de sujidade mais superficial.
  23. Castrado: cavalo (macho) que foi castrado. Constitui a maior percentagem de cavalos usados em desporto. Os outros são inteiros (garanhões) e as éguas.
  24. Cauda: conjunto de pelos longos e coto da cauda do cavalo.
  25. Cavalletti (cavaletes): série de varas a uma altura pequena do chão (25 a 30 cm) que obrigam o cavalo a abrir e elevar as passadas aprendendo a andar de forma mais equilibrada e impulsionado ao mesmo tempo que exercita melhor os músculos.
  26. Cavalo de completo: cavalo que compete ou que é capaz de competir nas três fazes do concurso completo de equitação.
  27. Cavalo de sangue: puro-sangue Inglês.
  28. Cavalo na mão: cavalo que se desloca com impulsão, sem no entanto perder posição correcta do pescoço e da cabeça, sem forçar ou evitar o contacto com as mãos do cavaleiro (através das rédeas e da embocadura).
  29. Chakka: um dos períodos em que se divide um jogo de pólo (veja também Pólo).
  30. Chefe de equipa: o dirigente desportivo que é responsável tanto dentro como fora da pista por tudo o que diz respeito aos cavaleiros de uma equipa nacional quando representa o seu país no estrangeiro.
  31. Cilha: faixa de cabedal ou nylon com fivelas nas duas extremidades que serve para segurar a sela sobre o dorso do cavalo apertando-o por baixo da barriga.
  32. Cirgola: tira de cabedal que faz parte da cabeçada e que aperta por baixo do pescoço do cavalo, na zona da garganta. Não se deve apertar muito.
  33. Cólica: dor abdominal aguda, normalmente requer cuidados veterinários; é muitas vezes sintoma de flatulência ou obstrução dos intestinos por comida não digerida ou fezes. Se não for tratado pode levar à morte do cavalo.
  34. Comissário: pessoa que está encarregue de fazer cumprir os regulamentos durante um concurso de qualquer modalidade.
  35. Concentração: encurtamento dos andamentos do cavalo através de um contacto suave com as rédeas e de uma pressão permanente das pernas do cavaleiro que provocam a flexão do pescoço, a descontracção da maxila e a entrada dos posteriores debaixo da massa com intuito de melhorar o equilíbrio.
  36. Concurso completo de equitação: uma modalidade desportiva equestre que se compõe em três fases: ensino (dressage), cross-country e concurso de obstáculos e que se prolonga por um período que pode ir de um a três dias.
  37. Consanguinidade: acasalamento entre cavalos com laços de parentesco, feito com o intuito de apurar algumas qualidades comuns àqueles cavalos que são difíceis de encontrar noutros indivíduos ou noutras raças.
  38. Contacto: a ligação entre as mãos do cavaleiro e a boca do cavalo estabelecido através das rédeas.
  39. Contra-relógio: nos concursos hípicos, há provas que são disputadas ao cronómetro e outras que o são apenas para efeitos de desempate, na “barrage”.
  40. Corrida de barris: corrida à volta de barris ou bidons, muito popular na Austrália e nos Estados Unidos.
  41. Corrida plana: corrida de cavalos de obstáculos.
  42. Corveta: um ar alto em que o cavalo recua até levantar os membros anteriores do chão e depois salta várias vezes diante sobre os posteriores.
  43. Coudelaria: estabelecimento onde há cavalos apenas para reprodução.
  44. Crina: pelos longos que nascem na crista do pescoço do cavalo (crineira).
  45. Croupade (garupada): um ar alto em que o cavalo recua e depois salta para o ar com os posteriores debaixo da barriga.
  46. D
  47. Dentes: a dentição completa de um cavalo consiste de 40 dentes: 12 incisivos, 4 caninos e 24 molares. As éguas não têm os caninos, tendo apenas 36 dentes.
  48. Desbaste: o início do treino ou ensino de um cavalo novo, para qualquer fim (o desbaste é sempre igual, não importa para que modalidade o cavalo vai servir).
  49. Dorso (frio): quando um cavalo reage à colocação do arreio sobre o dorso, quando ainda não fez o aquecimento, ainda não começou a trabalhar.
  50. Dorso (selado): freqüente nos cavalos velhos, em que o dorso apresenta uma concavidade entre o garrote e a garupa.
  51. Dressage: a) a arte de ensinar um cavalo a executar todos os movimentos de forma equilibrada, ligeira, obediente e cadenciada; b) uma modalidade por si só ou a primeira fase de um concurso completo de equitação.

E

  1. Égua de ventre: Égua usada para reprodução (criação).
  2. Embarrancado: Descrição do cavalo que se espoja dentro da boxe e que depois não se consegue levantar.
  3. Embocadura: Um aparelho normalmente de metal ou de borracha que se coloca na boca do cavalo (sobre a língua) para regular a posição da sua cabeça e para ajudar a controlar o andamento e a direção. A embocadura é manipulada através das rédeas.
  4. Equilíbrio: Quando o cavalo se desloca de modo correto e eficiente, e suporta bem o seu peso e do cavaleiro sobre os membros.
  5. Espádua adentro: Movimento da Dressage, muito útil no ensino dos cavalos, que consiste em fazer andar ao longo da parede do picadeiro com as espáduas numa pista interior e a garupa na pista exterior.
  6. Espora: Peças de metal que se colocam nos calcanhares dos cavaleiros e que têm uma protuberância a que se chama para que toca o cavalo de modo mais acutilante que o calcanhar nú.
  7. Estábulo: Edifício onde se abrigam ou prendem os cavalos.
  8. Estojo de limpeza: Todos os aparelhos utilizados para limpar e tratar o cavalo.
  9. Estribo: Peça de metal com a forma de uma argola alongada que serve para o cavaleiro colocar os pés para se apoiar quando monta o cavalo.

F

  1.  Faceira: A tira de cabedal da cabeçada que está ligada à argola do bridão numa ponta e à cachaceira no outro ponto.
  2. Falta: Nos obstáculos ou no completo, unidade de classificações utilizada para registrar os derrubes, as recusas (desobediências) ou as quedas que o concorrente efetuar durante o seu percurso.
  3. Fazer a cama: Colocar o material que é composto a cama do cavalo, na sua boxe ou baia.
  4. FEI: Federation Équestre Internationale (em francês no original). Órgão que gere todos os desportos equestres no mundo, fundado em 1921 pelo Comandante G. Hector, em França; a sua sede fica em Bruxelas. Regulamenta o condutor das três modalidades olímpicas – obstáculos, completo e ensino – assim como as competições internacionais de atrelagens. Todas as federações dos países onde se pratica desporto a cavalo são obrigadas a acatar os regulamentos da FEI e adaptá-los à realidade equestre do país, em competições nacionais e a cumpri-lo à risca, em competições internacionais.
  5. Feno: Erva cortada e desidratada que serve de alimento aos cavalos que não têm acesso à pastagem.
  6. Ferrador: A pessoa que faz e coloca as ferraduras.
  7. Ferradura: Peça de metal moldada de forma a assentar perfeitamente sob os cascos e que ai é pregada e que serve para proteger e para aumentar a aderência do cavalo ao chão.
  8. Ferrar: Colocar as ferraduras ao cavalo.
  9. Ferro de cascos: Ferramenta de limpeza usada para retirar a sujidade que fica compactada dentro da cavidade do casco do cavalo.
  10. Focinheira: A parte da cabeçada que aperta o focinho do cavalo impedindo-o de abrir demasiado a boca, feita de cabedal e peça independente da cabeçada, que normalmente aperta por cima da embocadura.
  11. Freio: Tipo de embucadura usada em conjunto com o bridão que consiste em duas cambas laterais e o bocado inteiro, ligeiramente levantado no meio, formando o que se chama o montado.

G

  1. Gamarra: Instrumento utilizado para limitar a altura a que o cavalo levanta a cabeça. Pode ser fixa (da cilha até à focinheira) ou de argolas (da cilha às rédeas, com uma biforcação de onde parte uma tira na direção de cada rédea onde prendem com argolas de metal).
  2. Garanhão: Cavalo inteiro usado para reprodução.
  3. Garrote: Zona na base do pescoço do cavalo, sobre as espáduas que corresponde ao ponto mais alto do cavalo corpo do cavalo quando este tem o pescoço descido.
  4. Gestação: Período entra a concepção e o parto (cerca de 11 meses).
  5. Gincana: Jogos executados a cavalo, utilizados como meio de ensino de crianças que ainda não têm idade ou técnica suficiente para praticar desportos federados.

H

  1. Hunter: Tipo de cavalo criado e treinado para as caçadas.

I

  1. Independência de ajudas: Forma de estar a cavalo em que o equilíbrio do cavaleiro não depende das mãos nem das pernas e que as deixa livres para dar as indicações necessárias ao cavalo.

J

  1. Jockey: Cavaleiro de corridas.

L

  1. Laminite (aguamento): Inflamação muito dolorosa dos tecidos moles (lâminas) no interior dos cascos do cavalo.
  2. Lazão: Um cavalo com a pelagem de um castanho que pode ir do dourado ao vermelho escuro, com as crinas da mesma cor, mais claras ou mais escuras mas nunca pretas.
  3. Levada: Ar alto em que o cavalo situa os posteriores bem debaixo da massa e depois eleva os anteriores e consegue ficar imóvel nessa posição durante alguns segundos.
  4. Ligaduras: Disponíveis em três modelos: … de exercício (para proteger os membros e apoiar os tendões) … de descanso (para aquecer e proteger os membros, especialmente durante as viagens) e da cauda (para impedir que a cauda se fira ou desgaste ao roçar contra qualquer superfície).
  5. Loro: Tira de cabedal que suspende o estribo no arreio (sela).
  6. Luva de crina: Instrumento de limpeza utilizado para dar brilho ao pelo do cavalo e que é feito de crinas de cavalos ou de palha.

N

  1. Nanicular: Osso do pé do cavalo que se a sua irrigação é interrompida provoca uma claudicação muitas vezes incurável e que é limitadora do exercício do cavalo.

O

  1. Obstáculo Composto: Em concursos de obstáculos, um obstáculo composto de dois ou mais esforços separados mas que estão numerados e são julgados como um só.
  2. Obstáculos: Podem ser verticais (um só plano) ou largos (dois ou três planos) que se dividem em rias e tríplice de varas.

P

  1. Parede de casco: Parte do casco que é visível quando o cavalo o tem assente no chão. Está dividido em pinça (à frente), quartos (dos lados) e talão (atrás).
  2. Passage: Um dos ares de escola (clássicos). Trote lento e cadenciado com um tempo de suspensão maior do que o habitual em que o cavalo eleva mais os membros do que a trote normal.
  3. Passar à guia: Meio de trabalhar o cavalo a pé, num círculo usando uma corda comprida (guia).
  4. Peitoral: Uma peça de arreio que serve para impedir que o arreio escorregue para trás sobre o dorso do cavalo. Prende-se ás argolas à frente do arreio e passa sobre as espáduas e por entre os membros anteriores e aperta na cilha. 
  5. Pelham: Embocadura concebida para acumular o efeito de um freio e um bridão numa peça única. Pode ser utilizada com quatro ou apenas duas rédeas mas neste caso as duas argolas de cada lado estão unidas por um francelete de cabedal.
  6. Pente de crina: Pente de metal pequeno e com dentes longos que serve para pentear as crinas (crina e cauda) do cavalo.
  7. Percurso limpo: Um percurso de um concurso de obstáculos ou de cross terminado sem faltas quer nos obstáculos, quer em excesso de tempo.
  8. Piaffe: Trote no mesmo terreno, com a cadência e a suspensão de passage.
  9. Pironette (pirueta): Volta (semi círculo ou círculo completo) a galope ou a passo em que o cavalo levanta e pousa o posterior de dentro sempre no mesmo sítio.
  10. Poldro: Qualquer cavalo até aos cinco anos de idade.
  11. Pólo: Jogo semelhante ao Hockey, disputado a cavalo por duas equipas de quatro cavaleiros. Remonta ao não de 521 a.C.
  12. Poney: Cavalo que no estado adulto não mede mais de 1,48m ao garrote.
  13. Preto: Cavalo de pelagem preta, crina e cauda pretas, sem mais nenhuma cor presente (à excepção de marcas brancas na cabeça e/ou nos membros).
  14. Proteções: Aparelhos utilizados para proteger os membros dos cavalos, principalmente dos choques entre membros, com obstáculos ou em quedas.

R

  1. Rabicheira: Pela de arreio que se prende atrás da sela e que passa debaixo da cauda do cavalo para impedir que a sela escorregue para a frente.
  2. Ranilha: A parte mole e sensível, de forma triangular no centro do casco do cavalo.
  3. Raspadeira: Lâmina de metal que serve para raspar o pelo do cavalo quando está molhado para fazer sair a água em excesso e ajudar a secar o cavalo mais depressa.
  4. Rédeas: Longas tiras de cabedal presas às argolas da embocadura e que servem para o cavaleiro dirigir o cavalo.
  5. Rédeas Longas: Método de trabalho de um cavalo em que o cavaleiro o pode conduzir sem estar montado nele, podendo ir a pé ou montado noutro cavalo, atrás do que vai a conduzir.
  6. Resistência: Atitude de desobediência do cavalo em que este se recusa a obedecer às ajudas dadas pelo cavaleiro.
  7. Ruço: Cavalo de pelagem originalmente escura (preta, lazã ou baia), interpolado de pelos brancos que ganham terreno com o avançar da idade, tornando o cavalo totalmente branco a partir de certa altura.

S

  1. Sangue: O sangue contido no corpo do cavalo representa aproximadamente 1/18 do seu peso corporal total.
  2. São: Cavalo que não apresenta doenças ou deficiências nos membros.
  3. Sebes: Tipo de obstáculo para transpor em corridas de cavalos (normalmente feitas de arbustos cortados).
  4. Sela: Assento para o cavaleiro. Coloca-se sobre o dorso do cavalo e pode ter vários modelos, conforme a modalidade a que se destina.
  5. Sobrecana: Tara dura; excrescência óssea que se forma junto dos ossos longos das canelas e que se calha situarem-se por baixo de um tendão podem provocar tendinites e claudicações no cavalo.
  6. Sobrecilha: Cilha muito comprida que envolve cavalo e arreio, usada principalmente nas corridas.
  7. Steeplechase: Corrida com uma distância específica em que os cavalos têm que saltar um determinado número de obstáculos.

T

  1. Temperatura: A temperatura normal de um cavalo saudável é de 38º C.
  2. Testeira: Peça da cabeçada que fica na testa do cavalo pela frente das orelhas.
  3. Tétano: Doença infecciosa, frequentemente fatal causada por um bacilo que vive na terra e que penetra no corpo do cavalo através das feridas.
  4. Transcurvo: Cavalo com os membros anteriores do joelho para baixo côncavos.
  5. Treino faseado: Processo de treino para cavalos de concurso completo ou de raides (resistência) em que os períodos de esforço são seguidos de períodos de repouso activo (a passo) com tempos bem definidos e de que resulta um grande aumento do volume cardíaco do cavalo e portanto da sua resistência aeróbica.
  6. Triplo: Obstáculo composto que inclui três esforços separados.
  7. Tronco: Parte do corpo do cavalo situada entre os membros anteriores (antebraços) e os flancos.
  8. Tusquiar: Usar máquinas de tusquia para cortar o pelo ao cavalo durante os meses mais frios, para evitar que este sue demasiado devido ao pelo de Inverno muito espesso.

V

  1. Vala de água: Nos concursos de obstáculos, obstáculo que consiste numa vala contendo água e que tem uma largura de 4,2 m e que pode ir até 4,8 m.

Fonte - Enciclopédia do Cavalo - Prefácio - David Broome

A Era Two Eyed Jack

INDICE

A fama de Jack começou em 22 de março de 1961, data do seu nascimento. De lá pra cá, este gara-nhão fez questão de deixar sua marca. Jack, não foi só um reprodutor de primeira linha, mas um grande campeão dentro da Raça Quarto de Milha, sob as mais diferentes disciplinas.
De acordo com o seu proprietário, Howard Pitzer, o mais importante era o fato de Jack ser um excelente cavalo no trabalho do rancho. Ele tinha uma incrível sensibilidade para a lida com o gado, um excelente cow-sense.
Seu dono acreditava em cavalos que eram muito mais do que “um rostinho bonito”. Em Jack, Howard obteve grandes qualidades, como a competência, a beleza e um pouco mais.
Em 1966, Jack se destaca na história do Rancho Pitzer, igualmente, ao ano em que Howard comprou a outra metade de Jack do seu sócio, Joe Lindholm. Foi a partir disso, que a lenda realmente começou a tomar forma.
O garanhão competia freqüentemente até os seus nove anos de idade. Ia conquistando numerosos títulos, entre eles, o AQHA Championship, o Superior Halter e mais um inúmero volume inacre-ditável de pontos nas modalidades, como Halter, Cow Horse, Rédeas, Western Pleasure e Western Riding.
“Quando nós começamos a treiná-lo, algumas pessoas chegaram a comentar que ele não daria para nada. Bom, pouco tempo depois conseguimos provar que Jack podia fazer de tudo. Ele foi o melhor cavalo que já montei”, destaca Pitzer. O treinador Bill Keyser, que trabalhou muitos anos no Rancho de Howard tinha a mesma opinião.
No ano de 79, a carreira de Jack, mesmo que impressionante, começou a ser superada pelas conquistas de seus próprios filhos.
Two Eyed Jack foi citado em tantas listas de “Leading Sires” - ou melhor garanhões de destaque dos anos 70 e 80 - que a AQHA tem uma publicação inteira de “The Quarter Horse Journal”, que poderia facilmente ter sido intitulada “Publicação de Performances dos Filhos e Two Eyed Jack”.
Os filhos e filhas de Two Eyed Jack eram cavalos que podiam competir em todas as modalidades. Eles faturavam all-arounds, superiors, títulos de alta pontuação e mundiais. Eles laçavam cabeça, pé, corriam, pulavam, espinavam, esbarravam e trabalhavam os bois como nenhum outro.
Two Eyed Jack e Howard Pitzer têm uma conexão tão estreita na fama do cavalo Quarto de Milha que é impossível falar sobre um sem mencionar o outro.
Hoje, se perguntarem ao Pitzer quanto ele pagou por Jack, ele irá virar os olhos, contorcer-se e enfiará as mãos nos bolsos. “Ele custou tanto que tive de comprá-lo aos pedaços”, revelou Pitzer, inúmeras vezes.
Quando Jack finalmente estava comprado, Howard já não era o proprietário da sua metade do Campeão da AQHA Two D Two (pai de Jack) e se desfez de um trailer cheio de potros, pelo menos. Mas, ele nunca se arrependeu da troca.
The American Quarter Horse Journal / Março de 96
O Início de Tudo...
A Vida e os Filhos de Two Eyed Jack
Quando o garanhão Pat Star Jr morreu em 1967 aos 14 anos de idade, Howard Pitzer, já tinha um substituto em mente, Two Eyed Jack. “O meu intuito foi sempre produzir cavalos com os quais eu pudesse fazer o que quiser. É tão difícil encontrar um animal com esta qualidade, com tamanho cow-sense e facilidade em cuidar e treinar. Acho que com a ajuda do Jack conseguimos produzir alguns bons ca-valos”.
Howard nunca teve problemas para vender produtos que tivesse a descendência de Jack, e continuou a produzir ca-valos que descendentes de seus filhos ou filhas.
A atitulde de Pitzer em relação à criação de cavalos rendeu grande respeito e admiração por todos aqueles que faziam seus negócios com ele.
“Acho que devemos ser honestos, sempre”, disse Howard, a um artigo do Journal de 1974. “Seja honesto consigo mesmo e com os seus cavalos, com nossos competidores e clientes. Quando eu digo seja honesto com seus cavalos,  eu digo para aceitar o animal pela habilidade que apresenta, e pelo, o que ele realmente é. Agora, quanto aos nossos clientes, acredito que não há maneira melhor de se dar com todas as pessoas a não ser sendo honesto, dizendo para eles o que aquele cavalo que eles pretendem comprar pode e não pode fazer”.
Entre os filhos de Jack que mais se destacaram, podemos citar:
Mr. Baron Red, Eyes on Red, Mr. Harlan Jack, Mr. Renta Red, Two Eyed Red Buck, Joe Jack Honey Bar, Mr. Tyree Red, Classic Watch
A história do grande criador
Em 1956, Howard comprou o seu primeiro garanhão e começou a sua criação. O garanhão Pat Star Jr. (filho de Oklahoma Star Jr.), produziu 20 campeões da AQHA, entre o total de 348 produtos por ele produzidos. Mas, Howard começou sua carreira com 2.600 potros. Ele criou 13 campeões mundiais, seis campeões de alta pontuação, dois campeões all-around e faturou 200 títulos de registro ao mérito. E tudo isso somente na classe aberta. Potros criados por Howard ganharam mais de 28.225 pontos em todas as divisões das competições da AQHA.
Howard Pitzer cresceu numa sela. Ele aprendeu a apreciar bons cavalos e mulas ainda novo. E nunca se esqueceu de que cada animal tem o seu valor. Pitzer trabalhou duro até transformar-se em um dos maiores criadores de Quarto de Milha e Angus. Hoje,  seu rancho está localizado na cidade de Ericson, no Nebraska.
Mas toda história de sucesso e alegrias tem seu fim. No dia  2 de março de 1991, poucos dias antes de completar 30 anos de idade, Two Eyed Jack escorregou no gelo, caiu e não conseguiu levantar-se mais. Jack  imprimiu solidamente a sua marca no mundo do cavalo, e deixa gerações e gerações de fi-lhos e filhas que descendem de uma linha soberba como a de Two Eyed Jack.
  
Reportágem: Traducão e adaptação: Ana Paula Larsen Saraiva
Fotógrafo: Fotos para divulgação
Matéria disponível na edição número:11
Fonte:Arquivo Western Magazine

 

A saga de um vaqueiro

INDICE

 

 

 

 

 

 

de Rita de Cássia conta a história de Um Vaqueiro e seu amor proibido.  
 
Vou pedir licença pra contar a minha história...
Como um vaqueiro tem suas perdas e suas glórias...
Mesmo sendo forte, o coração é um menino...
Que ama e chora por dentro, e segue o seu destino,
Desde cedo assumi minha paixão,
De ser vaqueiro, de ser um campeão,
Nas vaquejadas sempre fui batalhador,
Consegui respeito por ser um vencedor...

Da arquibancada uma morena me aplaudia,
Seus cabelos longos, olhos negros, sorria,
Perdi um boi naquele dia lá na pista, 
mas um grande amor surgia em minha vida...
Naquele dia começou o meu dilema,
Apaixonado por aquela morena,
Cada boi que eu derrubava, ela aplaudia
E eu, todo prosa, sorria...
Então começamos um namoro apaixonado,
Ela vivia na garupa do meu cavalo,
Meus planos já estavam, traçados em meu coração,
De tê-la como esposa ao pedir a sua mão,
Que tristeza abalou meu coração,
Quando seu pai negou-me sua mão,
Desprezou-me, por eu ser um vaqueiro,
Pra sua filha só queria um fazendeiro,

A gente se encontrava, sempre às escondidas,
E vivia aquele amor, proibido,
Cada novo encontro era sempre perigoso,
Mas o nosso amor era tão gostoso,
Decidimos então fugir, pra outras vaquejadas,
Queríamos seguir,
Marcamos um lugar, pra gente se encontrar,
Mas na hora marcada ela não estava lá,
Voltei em um galope,
Saí cortando vento,
Como se procura uma novilha, num relento,
E tudo em mim chorava por dentro...
E tudo em mim chorava por dentro...

Vieram me contar, que mandaram ela pra longe,
Onde o vento se esconde, e o som do berrante se desfaz
E um fruto do nosso amor,
Ela estava a esperar...
Fiquei desesperado, por tamanha maldade,
Pensei fazer desgraça, mas me controlei,
E saí pelo mundo, um vaqueiro magoado,
Só por que um dia eu amei...

Passaram muitos anos, e eu pelo mundo,
De vaquejada, em vaquejada, sempre a viajar,
Era um grande vaqueiro,mais meu coração, continuava a penar...

Um dia eu fui convidado, pra uma vaquejada,
Naquela região...
Pensei em não voltar lá, mas um bom vaqueiro,
Nunca pode vacilar,
Nunca mais soube de nada, do que lá acontecia,
Eu fugia da minha dor, e da minha agonia,
Ser sempre campeão, era a minha alegria,

Depois de dezessete anos, preparei-me pra voltar,
Como um campeão,
Queria aquele prêmio pra lavar meu coração,
Mas sabia que por lá, existia um vaqueirão,

Começou a vaquejada em uma disputa acirrada,
Eu botava o boi no chão, ele também botava,
Eu entrei na festa,
E ele lá estava,
Eu fiquei impressionado, como ele era valente,
Tão jovem e tão forte, e tão insistente,
Eu derrubava o boi,
E ele sempre a minha frente,
Chegava o grande momento, de pegar o primeiro lugar,
Os dois eram os mais fortes, eu não iria derrubar,
E sorri comigo mesmo "desta vez eu vou ganhar"...
Quando me preparava, para entrar na pista,
Quando olhei de lado, quase escureci a vista,
Quando vi uma mulher,
Aquela que foi a minha vida,
Segurei no meu cavalo, para não cair,
Tremi, fiquei nervoso, quando eu a vi,
Enxugando e abraçando,
O vaqueiro bem ali,


Entrei na pista como um louco,
Um batisteira a percebeu,
Andei foi longe do boi,
“Há isso nunca aconteceu!”
O Vaqueiro entrou na pista, e eu fiquei a observar,
Ela acenava, ela aplaudia,
E ele, o boi a derrubar,
Derrubou o boi na faixa,
Ganhou o primeiro lugar...

Fiquei desconsolado, envergonhado eu fiquei,
Perdi o grande prêmio,
Isso até eu nem liguei,
Mas perder aquele amor,
Há eu não me conformei,

Ela veio sorridente, em minha direção,
E trouxe o vaqueiro, pegado em sua mão,
Olhou-me nos meus olhos, e falou com atenção:
“Esse é o nosso filho, que você não conheceu,
Sempre quis ser um vaqueiro, como você, um campeão,
E pela primeira vez, quer a sua atenção...”

“Eu chorava, de feliz,
Abraçado, com meu filho,
Um vaqueiro, como eu, eu nunca tinha visto,
Posso confessar, que o maior prêmio,
Deus me deu...”
 
Rita de Cássia

 

Aos cavaleiros

INDICE


Como cavaleiros sejamos capazes de enxergar mais o mundo do ponto de vista dos cavalos, para assim, podermos entendê-los melhor e enfim não cometer tantas barbaridades.
Que possamos compreender que eles não são humanos, são cavalos e, portanto, tem que ser tratados como tal.
Mesmo que precisemos confiná-los em um estilo de vida contrário à natureza deles, que sejamos capazes de amenizar a agressividade de uma vida artificial conhecendo melhor sua natureza e compreendendo que somos predadores e eles predados e como predadores que somos, não necessariamente, o esfolamos para comer, simplesmente lhes tiramos a vida que desejam seguir, soltos nos campos e pradarias em convívio de outros iguais. Então façamos algo para compensar parte disso.
Que possamos entender que não existe cavalo ruim, bravo ou maldoso e quando situações assim parecem  existir, na verdade, são reflexos de nossa interferência negativa, nossas ansiedades absurdas, nossa falta de humildade para reconhecermos que pouco sabemos sobre eles.
Que possamos conviver cada vez mais com os cavalos sem transformá-los em objetos da nossa vaidade, ou brinquedos que podem ser descartados quando não atendem às nossas expectativas invertidas.
Que sejamos humildes o bastante para enxergar que quando alguma coisa vai mau entre nós e eles, é porque não fomos suficientemente competentes em nos comunicar como deveríamos, ou porque temos uma expectativa muito acima do possível ou porque simplesmente não fazemos idéia do que está acontecendo.
Que sejamos capazes de enxergar que eles têm uma vontade enorme de cooperar conosco quando sabemos como ganhar sua confiança. Que são capazes de aprender de forma rápida e precisa desde que saibamos como, quanto e quando fazer.
Que as escamas que cobrem os nossos olhos caiam por terra e possamos enxergar o óbvio... Que nós somos a causa de todos os problemas dos cavalos e ainda assim eles perdoam tudo se formos capazes de nos colocarmos no lugar deles, aprender sua linguagem, nos comunicarmos em sua língua e respeitá-los como são em sua essência, não exigindo deles que pensem ou sejam como nós, ou ainda, que adivinhem nossos pensamentos.
Que nos anos que vão se seguir, possamos todos aprender com os cavalos sobre humildade, respeito e honestidade, pois nisto eles são mestres.

 

Julio Nottingham

 

O vaqueiro nordestino

 INDICE

No Nordeste o Vaqueiro trabalha com o boi, vive em função do boi, veste roupa feita com o couro do boi.
A vestia do vaqueiro, de couro, resiste aos espinhos da caatinga, é a sua couraça, a sua armadura.
O couro, em geral, é curtido por processos primitivos, ficando com uma cor de ferrugem, flexível, macio. Tiram, geralmente, todos os pêlos.
O gibão é o paletó de couro de vaqueta. Enfeitado com pespontos. Fechado com cordões de couro.
O para-peito, como o nome indica, protege o peito. Uma alça que passa pelo pescoço o segura.
A perneira é uma perna de calça que cobre o pé até a virilha. As perneiras ficam presas na cintura. São duas pernas de calças soltas, deixando o corpo livre para cavalgar.
As luvas cobrem as costas das mãos e deixam os dedos livres.
Nos pés as alpergatas simples ou complicadas como as dos cangaceiros.
Às vezes usam botinas, um sapatão fechado.
E na cabeça o chapéu, que protege o vaqueiro do sol e dos golpes. Na sua copa às vezes bebem água ou comem.
O jaleco feito de couro de carneiro, tem duas frentes: uma para o frio da noite, onde conservam a lã e a outra de couro liso para o calor do dia.

Autor desconhecido

 

Vaqueiro – Patativa do Assaré

INDICE

Eu venho dêrne menino,
            Dêrne munto pequenino,
            Cumprindo o belo destino
            Que me deu Nosso Senhô.
            Eu nasci pra sê vaquêro,
            Sou o mais feliz brasilêro,
            Eu não invejo dinhêro,
            Nem diproma de dotô.
 
                                    Sei que o dotô tem riquêza,
                                    É tratado com fineza,
                                    Faz figura de grandeza,
                                    Tem carta e tem anelão,
                                    Tem casa branca jeitosa
                                    E ôtas coisa preciosa;
                                    Mas não goza o quanto goza
                                    Um vaquêro do sertão.
 
                                    Da minha vida eu me orgúio,
                                    Levo a Jurema no embrúio
                                    Gosto de ver o barúio
                                    De barbatão a corrê,
                                    Pedra nos casco rolando,
                                    Gaios de pau estralando,
                                    E o vaquêro atrás gritando,
                                    Sem o perigo temê.
 
                                    Criei-me neste serviço,
                                    Gosto deste reboliço,
                                    Boi pra mim não tem feitiço,
                                    Mandinga nem catimbó.
                                    Meu cavalo Capuêro,
                                    Corredô, forte e ligêro,
                                    Nunca respeita barsêro
                                    De unha de gato ou cipó.
 
                                    Tenho na vida um tesôro
                                    Que vale mais de que ôro:
                                    O meu liforme de côro,
                                    Pernêra, chapéu, gibão.
                                    Sou vaquêro destemido,
                                    Dos fazendêro querido,
                                    O meu grito é conhecido
                                    Nos campo do meu sertão.
 
                                    O pulo do meu cavalo
                                    Nunca me causou abalo;
                                    Eu nunca sofri um galo,
                                    pois eu sei me desviá.
                                    Travesso a grossa chapada,
                                    Desço a medonha quebrada,
                                    Na mais doida disparada,
                                    Na pega do marruá.
 
                                    Se o bicho brabo se acoa,
                                    Não corro nem fico à tôa:
                                    Comigo ninguém caçoa,
                                    Não corro sem vê de quê.
                                    É mêrmo por desaforo
                                    Que eu dou de chapéu de côro
                                    Na testa de quarqué tôro
                                    Que não qué me obedecê.
 
                                    Não dou carrêra perdida,
                                    Conheço bem esta lida,
                                    Eu vivo gozando a vida
                                    Cheio de satisfação.
                                    Já tou tão acostumado
                                    Que trabaio e não me enfado,
                                    Faço com gosto os mandado
                                    Das fia do meu patrão.
 
                                    Vivo do currá pro mato,
                                    Sou correto e munto izato,
                                    Por farta de zelo e trato
                                    Nunca um bezerro morreu.
                                    Se arguém me vê trabaiando,
                                    A bezerrama curando,
                                    Dá pra ficá maginando
                                    Que o dono do gado é eu.
 
                                    Eu não invejo riqueza
                                    Nem posição, nem grandeza,
                                    Nem a vida de fineza
                                    Do povo da capitá.
                                    Pra minha vida sê bela
                                    Só basta não fartá nela
                                    Bom cavalo, boa sela
                                    E gado pr’eu campeá.
 
                                    Somente uma coisa iziste,
                                    Que ainda que teja triste
                                    Meu coração não resiste
                                    E pula de animação.
                                    É uma viola magoada,
                                    Bem chorosa e apaxonada,
                                    Acompanhando a toada
                                    Dum cantadô do sertão.
 
                                    Tenho sagrado direito
                                    De ficá bem satisfeito
                                    Vendo a viola no peito
                                    De quem toca e canta bem.
                                    Dessas coisa sou herdêro,
                                    Que o meu pai era vaquêro,
                                    Foi um fino violêro
                                    E era cantadô tombém.
 
                                    Eu não sei tocá viola,
                                    Mas seu toque me consola,
                                    Verso de minha cachola
                                    Nem que eu peleje não sai,
                                    Nunca cantei um repente
                                    Mas vivo munto contente,
                                    Pois herdei perfeitamente
                                    Um dos dote de meu pai.
 
                                    O dote de sê vaquêro,
                                    Resorvido marruêro,
                                    Querido dos fazendêro
                                    Do sertão do Ceará.
                                    Não perciso maió gozo,
                                    Sou sertanejo ditoso,
                                    O meu aboio sodoso
                                    Faz quem tem amô chorá.
 

Patativa do Assaré

 

Trecho do Prefácio do livro El cabalo

INDICE

"Na cidade somos prisioneiros de armações de cimento e ferro, vivemos sujeitos a monstros mecânicos criados para nos servir, porém se convertem em nossos donos, e não podemos viver sem eles. O homem da cidade é obrigado a uma companhia forçada e é um solitário, está em contato com milhares de pessoas, mas não está em contato com nada e com ninguém. “Um gaúcho” isolado em sua terra ignora as angústias da solidão.
Os campos ilimitados, o céu aberto, o carinho de seu animal, o coloca em permanente comunhão com a Criação e o Criador. O homem que soube ser cavaleiro pode quebrar o horizonte e curtir a aventura, deixou de ser escravo da terra e a dominou.
Para compreender nossos campos, tem que ter percorrido no lombo de um cavalo, pra compreender nossa idiossincrasia, tem que procurar a origem de nossa cultura, nessas distantes planícies.
Não conhece o sabor da liberdade a pessoa que não teve a oportunidade de galopar sem rumo e sem porteiras, vagando a passo lento, com a rédea e a imaginação solta, deixando que o Corcel morda o capim ou se detenha para beber água; enquanto observam crescer as inúmeras surpresas que a terra apresenta para as pessoas que a amam sem pressa.
O cavalo, o grande arquiteto, cobriu-o de luxo. Sua crina, a graça do seu pescoço, seus caracóis; e não nos colocou simplesmente uma ferramenta em nossas mãos, mas nos deu ao mesmo tempo um companheiro, um cúmplice, uma alegria para nossos olhos, um chamado permanente da nossa atenção, um símbolo de indomável sentimento de independência.
A reação contrária à monstruosidade da funcionalidade das cidades e a nostalgia pelos horizontes sem fim, é a alma desta obra, dedicada particularmente pelos artistas Bruno e Beatriz Premiani(autores do livro), que fazem como uma homenagem à beleza e à liberadade, liberdade esta, que só se encontra longe dos cárceres sem limite, que são as cidades onde estamos condenados a viver.”
Élvio I. Botana

 

Sea Biscuit

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No final dos anos 1930 um cavalo menor que a média e de pernas tortas apareceu mais vezes na mídia do que Hitler, Mussolini e Roosevelt. Seu feito: vencer quase todas as provas que disputou, tornando-se uma celebridade. Pelo menos 40 mil pessoas iam aos hipódromos apenas para ver os treinos de Seabiscuit.

-Sea Biscuit x War Admiral

 

 

 

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