MUNDO DO CAVALO

 

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Notas gerais sobre alimentação
Manejo

Cavalos atletas precisam de alta proteína?

Flutter sincrônico diafragmático ( FSD )

 

“Cavalo Roncador” - Hemiplegia Laringeana


Fonte: ABQM
    
Definição
A hemiplegia laringeana é um distúrbio em que há paralisia (incompleta) ou paralisia da musculatura laringeana impedindo a abdução (abertura) e a adução (fechamento) eficazes das cartilagens aritenóides (estruturas da garganta). Como resultado desta paralisia, os animais podem apresentar sinais clínicos de ronco ao trote ou galope.
Etiologia
O nervo laríngeo recorrente é o responsável pela inervação de grande parte dessas estruturas anatômicas. Logo, uma compressão ou lesão neste nervo poderá ocasionar uma movimentação deficiente das cartilagens aritenóides, levando a uma diminuição do fluxo de ar para os pulmões.


Na maioria dos casos, não existe uma causa conhecida para a paralisia laríngeana, portanto ela foi demonstrada por muitos estudiosos como sendo Hemiplegia Laringeana Idiopática (H.L.I). Se reconhece uma predisposição hereditária para essa enfermidade.
A maior parte dos casos clinicamente detectáveis de H.L.I envolve o nervo laríngeo recorrente esquerdo, embora possa ocorrer em menor grau no direito.

Surgiram várias teorias para explicar a neuropatia laríngeana, que podem ser :
1) Compressão ou estiramento mecânico do nervo laríngeo recorrente esquerdo ao passar pelo arco-aórtico (da artéria aorta)
2) Neuropatias induzidas por vírus ou bactérias
3) Deficiências vitamínicas
4) Secundariamente a infecções perivasculares ou perineurais (injeções fora da veia)
5) Intoxicação por organofosforados (carrapaticida), envenenamento por chumbo, micose nas bolsas guturais, neoplasias (tumores), acidentes traumáticos na região do pescoço com ou sem formação de abscessos na região paralaringeana.


Epidemiologia
A H.L.I é geralmente considerada um distúrbio dos eqüinos das raças de maior porte, raramente relatada em árabes e pôneis.
A sintomatologia usualmente ocorre depois dos 3 anos de idade, quando se inicia o treinamento. No entanto, esta patologia pode ser detectada precocemente em potros jovens, através da endoscopia.
A abdução (abertura) inadequada das aritenóides cria uma resistência inspiratória ao fluxo de ar e conseqüente deficiência nas trocas gasosas. Como resultado irá ocorrer uma intolerância ao exercício que se transmite pelo cansaço e pela fadiga muscular.

A maioria dos animais com H.L.I., além da intolerância ao exercício, apresentam ruído inspiratório descrito como zunido ou ronqueira.
Quando essa enfermidade é bilateral (afeta ambas cartilagens), além do ruído, podem exibir desconforto inspiratório severo, necessitando em alguns casos de se efetuar uma traque­os­tomia (colocação de um traque­otubo na região da traquéia) para melhorar o fluxo de ar para os pulmões.

       
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por um exame endoscópico em que se observa posicionamento assimétrico ou amplitude de movimento das cartilagens aritenóides e relaxamento das pregas vocais do lado acometido.
Clinicamente pode-se observar ruídos ou roncos inspiratórios durante os exercícios, acompanhado por intolerância aos mesmos e fadiga muscular freqüentes.
O exame físico e a palpação da laringe também podem auxiliar em detectar a atrofia do músculo da laringe (crico­aritenoideo dorsal).

Ultiliza-se também o “Slap Test” ou teste da palmada em que através do endoscópio observa-se movimento das aritenóides logo depois da palmada realizada próxima à região da paleta-cernelha. Em eqüinos normais, quando a palmada é realizada em um dos lados do animal, ocorre abdução da cartilagem aritenóide contra­lateral. Tal reflexo estará ausente em eqüinos com Neuropatia laringeana Idiopática.
A seguir veremos a classificação, segundo a neuropatia recorrente e ao exame funcional da laringe.
Grau I - aparência de assimetria como um artefato, devido à posição do endoscópio. A perspectiva de distorção é cancelada colocando-se o endoscópio pela narina direita e esquerda. Quando o endoscópio passa pela narina direita, a cartilagem aritenóide esquerda parece menos abduzida e vice -versa.
Grau II - A maioria dos movimentos são simétricos com abdução total. Assincronia transiente ou atraso na abdução pode ser visto, especialmente, na aritenóide esquerda.
Grau III - assimetria , porém com plena abdução
Grau IV - assimetria é marcada, não há plena abdução , mas alguns movimentos estão presentes.
Grau V - Hemiplegia verdadeira - assimetria marcada com ausência de movimento do lado afetado e não há resposta ao “Slap Test )

Laginge Normal
Neuropatia idiopática da laringe (Grau III)
Neuropatia idiopática da laringe (Grau V)

Neuropatia idiopática da laringe (Grau IV)

 

 

 

Tratamento
Normalmente, os eqüinos que apresentam classificação I e II conseguem conviver com o problema, não necessitando intervenção cirúrgica. Já aqueles com graus IV e V, devido à intensa diminuição no fluxo de ar e acentuada intolerância ao exercício, podem se beneficiar com a intervenção cirúrgica. Com relação ao grau III, há controvérsias, pois alguns profissionais preferem esperar e outros optam pela cirurgia.
Em alguns casos , há a necessidade de se colocar o animal em uma treadmill ( esteira ), para uma melhor avaliação das cartilagens aritenóides durante o exercício. Isto porque o animal poderá apresentar outra palotogia, além da já diagnosticada anteriormente, como é o caso do colapso farin­geano.
Quanto à opção cirúrgica, a mais utilizada atualmente é a Laringoplastia - uso de uma prótese para manter a aritenóide acometida em abdução (aberta) através de dois fios de sutura não absorvíveis.
As complicações associadas à cirurgia também podem ocorrer tais como: infecção crônica da prótese, ossificação da cartilagem, disfagia (dificuldade em deglutir), pneumonia por aspiração de alimentos, condrite (inflamação das cartilagens), tosse, formação de tecido de granulação e, em alguns casos, o fio de sutura pode cortar a cartilagem e ceder, e então a cartilagem pode retornar parcialmente ou integralmente à posição original (o animal voltará a roncar).

*Dr. Reinaldo de Campos é médico veterinário do Jockey Club de São Paulo e chefe da Equine Center. (CRMV-SP 6018).
tel.: (11) 9937.1349

 

Óleo na dieta dos cavalos

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Você também acredita que é só para fazer o pêlo brilhar?
por Dr. Ricardo Lougon Ávila

Muitos proprietários e treinadores ouviram falar ou usam algum óleo vegetal na dieta dos cavalos. A razão mais comentada para esta finalidade é a melhora da pelagem entre outras coisas. Contudo, isso vem mudando rapidamente. Os técnicos da área têm se empenhado em acompanhar o que se chama hoje de nutrição ou suplementação esportiva. A crescente profissionalização do meio contribui para o aprimoramento das dietas, atendendo assim a demanda dos cavalos e proprietários cada vez mais famintos por ranking e premiações.
O cavalo é um animal com um sistema digestivo muito peculiar e sensível, sendo que a competição extrema faz com que sejam levados ao limite do organismo. Esta sensibilidade digestiva está muito ligada ao volume de ração ofertado e a alta concentração de carboidratos, isto é, uma quantidade muito grande de concentrado na forma de grãos e farelos para aumentar a capacidade energética. O óleo possui mais de 2 vezes a energia contida nos grãos, ou seja, uma ótima opção de suplementação quando o assunto é necessidade de energia e sem problemas de digestão. Existe pouca alteração na quantidade de calorias entre os óleos. Contudo, existe diferença no perfil de ácidos graxos de cada óleo e quanto a outros nutrientes interessantes que são extraídos no processo de refino.


A quantidade maior ou menor de um certo ácido graxo na composição de um óleo qualquer, pode determinar se o seu cavalo mudará da água para o vinho ou o inverso. São muito difundidas as propriedades dos ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados e execradas as propriedades dos ácidos graxos saturados. Um óleo rico em monoinsaturados, como óleo de oliva, tem seu preço por volta de R$25,00 o litro. Já o sebo bovino rico em ácidos graxos saturados, custa em torno de R$0,80 o litro. Para cavalos atletas que valem muito dinheiro, saber escolher qual o perfil de óleo a ser utilizado na dieta pode ser uma pequena, porém, providencial colaboração para a vitória.
Outra grande diferença está entre utilizar um óleo refinado ou semi-refinado. Aqueles que se encontra nas prateleiras dos supermercados são os refinados, ideais para cozinhar e fritar.
No óleo bruto se encontram várias substâncias como vitaminas lipossolúveis, lecitina, pigmentos, fitoesteróis e enzimas. Porém, nesta fase o óleo se deteriora rapidamente aumentando acidez e o ranço, por isso é inútil usar óleo bruto. No processo de refino são retiradas quase todas estas substâncias e depois vendidas em separado como suplementos. Outro produto deste processo são os farelos que podem ser desengordurados, como o farelo de soja ou os farelos “gordos”, pouco palatáveis e com ingestão limitada. Por esta razão, um óleo refinado de soja ou de milho custa muito barato, não há nada mais além de energia.
Já o óleo semi-refinado não é indicado para frituras, mas preserva os nutrientes interessantes para o organismo através de processo de alta tecnologia, sem problemas de acidez ou ranço. No processo de semi-refino é retirada a lecitina e a acidez, mantendo vitaminas e fitoesteróis como o gama-orizanol, encontrado em grande concentração no óleo extraído do farelo do arroz. O gama-orizanol é uma substância com propriedades anabolizantes que aumentam a massa muscular e antioxidantes que protegem as células durante o esforço físico.



(HTNUTRI, Camaquã – RS – Única empresa na América do Sul com tecnologia capaz de produzir óleo semi-refinado de farelo de arroz e registrado pelo Ministério da Agricultura)
Perceba que agora você já compreende as diferenças na composição dos óleos quanto aos ácidos graxos e as diferenças entre refinado e semi-refinado. A suplementação com óleo pode variar na sua quantidade de acordo com o peso do animal e a intensidade do treinamento. Para a comunidade científica o ideal está em torno de 15% da necessidade diária de energia que pode ser ofertada na forma de óleo. Para melhor esclarecer vamos aos extremos dos exportes eqüestres com o esquema abaixo:
• Evento de baixa intensidade e longa duração (enduro de 120Km), recomendação: 350ml a 400ml ao dia.
• Evento de alta intensidade e curta duração (penca de 700m), recomendação: 200ml a 250ml ao dia.
No Brasil existem muitas opções de suplementos para cavalos e o número de lançamentos cresce junto com o mercado. Muitos nomes performáticos, quase todos com os mesmos apelos e os mesmos ingredientes que os compõem. Os proprietários e treinadores brasileiros não compram mais qualquer produto, confrontam apelos de venda com os ingredientes. Já existe uma preocupação em aumentar a vida esportiva dos cavalos e os “coquetéis” endovenosos de resultado fácil são banidos pouco a pouco à medida que o esporte evolui e os profissionais se tornam mais responsáveis. O óleo é um produto simples e ao mesmo tempo rico por natureza, que pode trazer muitos benefícios para a performance e para a saúde dos cavalos se bem escolhido e usado com critério.
Dr. Ricardo Lougon Ávila
Veterinário


MORMO

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ESPECIALISTAS ALERTAM, ELE PODE SE PROPAGAR
Fonte: Revista Mangalarga Marchador

Depois de considerada erradicada e doença apareceu novamente no NE. Veja os cuidados que você precisa ter.

O que é  o Mormo

É uma doença causada por uma bactéria contagiosa entre os eqüinos, podendo acometer humanos e mamíferos, apesar de não haver estudos precisos de seus efeitos no homem. Sabe-se que o último caso de Mormo em humanos ocorreu no Rio de Janeiro entre 1910 e 1920, tendo sido registrado somente na década de 30, na revista de Veterinária do Exército. Mas, em 1998, em Pernambuco, houve suspeita de um caso com forte evidência de Mormo, ocorrido com um homem que morreu com pneumonia e caroços pelo corpo.

A  doença foi dada como extinta no Brasil em 1989, mas, dez anos depois, em 1999, foram detectados sete casos de Mormo em eqüinos em Pernambuco. Este resultado provocou alterações no trânsito interestadual de animais, impedindo até que os cavalos brasileiros participassem dos torneios pré-olímpicos e transações de exportação.

Os animais com Mormo apresentam corrimento nasal e dificuldade respiratória. Apresentam também nódulos e caroços pelo corpo e ficam muito debilitados.

 Como está o trânsito de animais

Os casos diagnosticados estão concentrados nos Estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Ceará. O trânsito interestadual ainda está restrito, mas alguns países do Mercosul só aceitam animais vindos do Brasil de Estados livres da doença.

O trânsito de eqüídeos ( eqüinos, asininos e muares) entre os Estados considerados focos de Mormo (PE, AL, CE, SE, PI, MA) e deles para os Estados brasileiros livres da doença continua regulamentado pelo Ministério da Agricultura. A normatização foi iniciada em Abril do ano passado, substituindo a proibição do mesmo trânsito determinado em Janeiro de 2000. Isso devido ao diagnóstico de sete casos de Mormo em Setembro de 1999: 3 em Três Cortes (PE), 3 em Sirinhaém (PE), e 1  em São José da Laje (AL).

Na época, o fato repercutiu negativamente no comércio nacional e internacional, principalmente entre os países do Mercosul. Ainda no primeiro semestre de 2000, ocorreram 2 casos no CE e 4 em SE, e no segundo semestre mais casos no MA e PI,mas nessas duas ocasiões já existia a regulamentação não sendo necessária nova proibição.

Desta forma, o trânsito está sendo submetido às exigências do MA. Animais de Estado-foco só podem transitar se saírem de propriedades onde todos os eqüídeos tenham sido testados e constatados como negativos para Mormo e não tenham entrado e contato com outros animais. Os proprietários devem apresentar o atestado negativo para a doença sempre que saírem de seus Estados e chegarem com seus animais em outros Estados.

 Ciclo de Palestras

A regulamentação do MA está sendo feita através de instruções normativas, sendo a mais recente de Agosto/Setembro de 2000, segundo informa o médico-veterinário Fernando Leandro dos Santos, professor de Patologia Veterinária da UF Rural de PE e integrante da equipe que detectou o foco de Mormo em 1999.

Fernando Santos e a veterinária Cláudia Kerber, colaboradora do MA para combate do Mormo, estão realizando um ciclo de Palestras em MG, RJ, SP, PR e RS, promovido pela Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Eqüinos (ABRAVEQ) da qual Cláudia Kerber é vice-presidente.

A idéia é propagar o conhecimento relativo ao Mormo para que ele não se difunda das regiões foco para aquelas que estão livres da doença,  e, também tornar público as ações de defesa sanitária, particularmente das barreiras nas estradas, onde devem ser exigidos atestados negativos dos animais oriundos dos Estados-focos. Assim, sempre que um criador viajar para em evento nesses Estados deverá consultar a Secretaria de Agricultura local para saber se é um evento fiscalizado pela defesa sanitária estadual, ou seja, se está sendo exigido, por ocasião da entrada, o atestado negativo para Mormo dos animais vindos dos Estados-foco.

Quando um criador de um Estado livre exige que um cavalo que saiu de um Estado-foco tenha atestado, está desempenhando 2 papéis : resguardando que não entre um animal doente em seu Estado e ajudando a divulgar que nos Estados-foco todos os criadores estão fazendo exames em seus animais.

 Muita desinformação

Um problema verificado no combate ao Mormo, de acordo com a Dra. Cláudia, proprietária do Laboratório Paddock, único credenciado pelo MA para os exames oficiais, é o desconhecimento por parte dos veterinários. Como a doença foi considerada extinta durante anos, as Faculdades de Veterinária não fizeram com seus alunos nenhum trabalho para que eles conhecessem a doença. A matéria praticamente não é citada durante o Curso de Graduação. O caso anterior a estes havia acontecido em 1968 na cidade de São Lourenço da Mata, também em PE.

Outro problema é o da diferença de estruturação das Secretarias de Agricultura. Segundo Kerber, cada Estado tem uma prioridade. No caso de Estados que privilegiam a atividade agrícola, como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais, as Secretarias e barreiras sanitárias são melhor estruturadas. Em outros, como São Paulo, que tem característica mais industrial, não tem estrutura semelhante, com isso faltam recursos.

Já a médica-veterinária Ana Maria Starling, delegada regional do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), em BH, observa que esta entidade como Órgão de defesa sanitária, tem o compromisso de cumprir a legislação sobre o Mormo, que está disponível no IMA. Mas o criador que é o dono do cavalo, deve fazer a sua parte.

Minas Gerais e os Estados vizinhos não tem Mormo, no entanto como a aftosa fez o que fez, temos que ficar atentos, pois podemos vir a tê-lo. O criador precisa estar consciente, principalmente através do veterinário que lhe atende, para providenciar este documento sanitário e não comprar animais sem exame ou documento.

 Combate exige o sacrifício

Causado pela bactéria Burkholderia mallei, o Mormo acomete todos os mamíferos, sendo os eqüídeos os mais sensíveis, e é considerado zoonose, ou seja, está entre as doenças que contaminam os animais e o homem. Nos animais os sintomas aparecem nas formas nasal, pulmonar e cutânea. Os animais doentes apresentam febre, corrimento nasal, dificuldade respiratória, nódulos pelo corpo e debilitação geral. A contaminação acontece pelo contato secreções e excreções dos animais doentes, que contaminam o ambiente, bebedouros e comedouros.

Para combater o Mormo é necessário isolar e desinfectar as instalações dos animais doentes, sacrificar e cremar os positivos. Segundo o veterinário Fernando Santos, o tratamento não deve ser incentivado, porque constitui um risco, já que um animal aparentemente são pode estar transmitindo a doença, sendo um potencial risco para o rebanho e as pessoas que lidam com ele.

Santos explica ainda que se houver em algum criatório dos Estados-foco, animais com descarga nasal e caroços saindo pus (abscessos cutâneos), deve-se procurar a Secretaria Estadual de Agricultura para investigação e coleta de material, o que é feito por conta do Estado e não gera ônus ao criador. Os exames são gratuitos, porém o criador tem que concordar com o sacrifício caso o animal seja positivo (doente).
 
Fonte: Revista Mangalarga MArchador

 

Alguns tipos de capim

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Braquiária

A braquiária cresce rápido e é muito resistente, pode suportar o pisoteio dos animais. Mas não se adapta à regiões de clima muito quente. Chega a atingir 70 centímetros de altura e se for plantada em terrenos declinados ajuda a impedir a erosão.

Capim Agulha ou Pontudinho

Também chamada de Quicuio da Amazônia, esta gramínea apresenta cor verde-escura. É uma planta rústica, resistente ao pisoteio e protege áreas em declive da erosão, pois crescem muito, cobrindo todo o solo. Esta planta se adapta bem a qualquer clima, mas se desenvolve melhor em climas quentes e úmidos.

Capim Elefante / Napier

É bastante utilizada como pasto de reserva para alimentação verde e também para silagem. Muito nutritivo, este capim mede de três a cinco metros de altura e suas folhagens variam entre o verde-escuro e claro. Adapta-se bem a qualquer tipo de clima.

Capim Gordura

Tipicamente brasileiro, o Capim Gordura também é chamado de catingueiro. Ele não suporta regiões secas nem geadas. Desenvolve-se muito rápido e cresce mais de um metro de altura. Pode ser cultivado facilmente em solos pobres e também pode ser consorciado com leguminosas. O seu único defeito é não resistir ao pisoteio de animais.

Capim de Rodhes

Muito bem aceito pelos cavalos, este capim é ideal para fenação. Deve ser plantado sempre em solos férteis e chaga a atingir um metro e meio de altura.

Centenário

Ganhou esse nome por ser um capim que dura muito tempo. Cresce em touceiras e chega a medir dois metros e meio, apresentando sempre folhagens verde-clara. É bastante produtivo e se adapta bem ao clima tropical, mas prefere solos férteis.

Coast Cross

Apesar de ser americano, suporta bem o clima brasileiro. Sua plantação requer solo fértil e é um dos mais indicados à alimentação dos equídeos.

Colonião

As touceiras de capim colonião chegam a alcançar 4 metros de altura. Preferem regiões de clima quente, solos um pouco arenosos e não se desenvolve em solos encharcados. É um capim muito nutritivo e duradouro.

Estrela da África

Também chamada de estrela africana é uma planta rasteira que resiste ao pisoteio do animal. Esta gramínea não se desenvolve em locais que apresentam muita umidade e prefere regiões de clima quente. Pode ser usada para pasto ou fenação.


Pensacola

Também conhecida por Bahia Cross, esta gramínea é um excelente pasto, mas não resiste ao pisoteio. A produção requer solos férteis.


Quicuio

Este capim é muito nutritivo e pode ser utilizado como pasto ou fenação. Possui forma rasteira e é muito rústico e duradouro. O solo para plantação de Quicuio deve ser bem fértil. Ele tem folhagem estreita , cresce de modo a cobrir todo o solo e agüenta ser pisoteado.

Colonial Tobiatã

Ou simplesmente Tobiatã. Possui boa produtividade, mas exige solo fértil. Desenvolve-se em forma de touceira e é muito resistente. Essa gramínea prefere clima quente e pode ser pisoteada.

Alfafa

É considerada a rainha das leguminosas por causa do alto nível de proteína e valor nutritivo. Produzem raízes robustas, flores azuis ou violáceas e vagens em forma de espiral. É uma leguminosa duradoura que pode ser consumida verde, em forma de silagem ou feno. Prefere regiões frias e altas, e exige solos férteis.


Calopogônio

É uma leguminosa muito duradoura que se desenvolve facilmente em solos pobres e cresce muito rápido. Muitas vezes cresce de forma espontânea. Seus caules são suculentos e cobertos por pêlos. Adapta-se melhor às regiões tropicais úmidas.

Ervilhaca

Pode ser usada para pastagem ou fenação. Essa leguminosa contém muita proteína, mede cerca de um metro de altura, resiste bem ao frio e pode ser consorciada com algumas gramíneas.

Feijão Guandú

Cresce em forma de arbusto, produz vagens e pode ser utilizado para silagem e fenação. É uma plantação que não exige solo fértil, porém sua produção ocorre até no máximo quatro anos.

Lab-Lab

Essa leguminosa é uma espécie de trepadeira que se adapta bem a quaisquer solo e clima. Tem ótima produção e apresenta alto valor protéico.

Apresenta-se em formas de arbusto e árvore que produz vagens finas. Essa espécie resiste bem à seca, época em que dá uma forragem de ótima qualidade.

Puerária

Também conhecida como Puero e Kudzu Tropical, esta planta cresce de forma rasteira e trepadeira e também dá vargens. Desenvolve-se melhor em clima quente e úmido, e pode ser consorciada com pastagens de Capim Gordura, Braquiária e Colonião.

 

Soja Perene

Muito duradoura, a Soja Perene resiste muito bem à seca, porém exige solos muito férteis. É bastante utilizada para pasto e fenação.

Trevo Branco

Essa leguminosa ganhou esse nome porque suas folhas são manchadas de branco. É uma vegetação rasteira e produz flores brancas. Não suporta temperaturas altas, mas se adapta bem a vários tipos de solos.

Trevo de Carretilha

Em algumas regiões também é conhecida por Alfafa Dentada e Alfafa Amarelada. Produz flores amarelas e vagens em forma de espiral. É uma forragem muito nutritiva e pode ser utilizada para pastagem. Requer solos férteis e clima temperado.

Trevo Híbrido

Mais aconselhável que seja plantado em regiões frias, que apresentem solos úmidos, pois não resiste à seca. Dá uma forragem muito nutritiva.

Trevo Subterrâneo

Leguminosa rasteira que apresenta pêlos nas folhas e flores inclinadas para o chão. É melhor adaptável em clima temperado e solos férteis. É utilizada para fenação e possui muitos nutrientes.

Quicuio da Amazônia

Conhecida também pelos nomes de Capim Agulha e Pontudinho, esta planta gramídia possui folhagem de coloração verde-escura. É rústica, apresenta boa resistência ao pisoteio dos animais e pode proteger áreas em declive da erosão, pois quando adultas, costumam cobrir todo o solo. Cientificamente chamada de Brachiaria humidicola, esta forrageira se adapta bem a qualquer clima, entretanto prefere os mais quentes e úmidos. É originária da África Equatorial.

Centauro

Desenvolvido pela Seção de Genética do Instituto Agronômico de Campinas, no Estado de São Paulo, este capim é bem aceito por equinos e prefere regiões de clima ameno. Seu nome científico é Panicum Maximum. Apresenta bom percentual de forragem verde, chegando a atingir um metro de altura. Possui folhas estreitas de cor verde-escura e exige solos férteis para uma boa propagação.

 

Odontologia Eqüina - A performance começa pela boca

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Por: Carla Michel Omura

No mundo inteiro, a odontologia eqüina está cada vez mais difundida. São freqüentes os seminários e palestras ministrados por veterinários pioneiros, cujo objetivo é alertar sobre a importância da odontologia na saúde e no desempenho atlético dos cavalos.
     A odontologia eqüina moderna visa equilibrar as diferentes partes da boca com o objetivo de restabelecer a função mastigatória plena. A dentição do cavalo moderno é complexa e evoluiu por milhões de anos para permitir a preensão e mastigação efetivas de materiais herbáceos fibrosos. O ser humano domesticou esses animais, mudou seus hábitos alimentares conforme sua própria conveniência e os utiliza para trabalho e lazer. Além do mais, os cavalos de performance, principalmente os PSI e QM, são domados e iniciam a vida atlética muito jovens.
     As dificuldades na prática do exame oral associadas ao treinamento deficiente resultam, na maioria das vezes, em diagnóstico, no mínimo, incompleto.

EXAME

     O primeiro exame deve ser realizado logo após o nascimento, pois problemas como braquignatismo, prognatismo e fendas palatinas podem ser prontamente observados e tratados de acordo. Em potros de até 5 anos, o ideal é um exame a cada seis meses, pois não é raro encontrar casos de dentes decíduos persistentes, fragmentos que devem ser extraídos, e oclusão anormal causada pela erupção desequilibrada dos dentes. Dificilmente se encontram problemas graves de oclusão em potros novos, mas observam-se formações pontiagudas e deformações nas arcadas dos dentes molares e incisivos, com freqüência, em animais com mais de 6 anos, em diversos graus. Essa observação demonstra que o cuidado precoce é essencial. Em cavalos adultos, o exame deve ser repetido, no mínimo, anualmente.
     O exame da cavidade oral é facilmente realizado com o uso de um espéculo, uma lanterna e uma seringa de 400 ml para limpeza da cavidade oral. O exame deve incluir tanto a visualização como a palpação das estruturas da boca, mas a avaliação da oclusão só será precisa com a utilização de sedativos ou tranqüilizantes.
     A palpação pode ser realizada começando-se pela direita, deslocando-se a língua para o lado esquerdo da boca com o dorso da mão direita e vice-versa para o outro lado. Pode-se visualizar os dentes com uma lanterna, deslocando-se a língua com a mão ou com o espéculo de apoio lateral, encaixado sobre os molares, deixando livre um lado de cada vez, ou ainda um espéculo do tipo Hausmann, que suporta duas estruturas metálicas encaixadas nos dentes incisivos e, quando aberto, permite a palpação e a visualização de todos os dentes de forma segura para animal e veterinário. O cabresto deve ser bem largo para possibilitar a abertura da boca, e um ajudante é necessário na maioria das vezes. A utilização do espéculo possibilita um exame mais preciso e seguro da cavidade oral. Na maior parte das vezes, a sedação não é necessária para a palpação e visualização.

ANATOMIA DOS DENTES

     O cavalo adulto possui até 4 dentes, exceto os puro-sangue lusitano que podem apresentar um molar a mais por arcada (Dr. Easley, comunicação pessoal). Os dentes incisivos são 12. Os pré-molares podem variar de 12 a 16, dependendo da presença ou não dos primeiros pré-molares, os conhecidos "dentes do lobo" que podem chegar a quatro. Normalmente, esses dentes são rostrais aos dentes P superiores. Os molares, em número de 12, são sempre definitivos. Os caninos são, normalmente, quatro, nos machos. As fêmeas podem também apresentar caninos, porém pequenos e mais freqüentemente encontrados na mandíbula, com ou sem caninos maxilares erupcionados.


ESTRUTURA E FUNÇÃO DO DENTE
    

Os eqüinos possuem dentes classificados como hipsodontes, o que significa coroa longa. O cavalo possui dentes incisivos e molares com uma raiz relativamente pequena e coroa grande, sendo que apenas parte desta está exposta. A porção interna da coroa é chamada de coroa de reserva. Esses dentes erupcionam durante toda a vida para compensar o desgaste causado pelos alimentos contidos na sua dieta. Note-se que a coroa não cresce continuamente como nos roedores, apenas erupciona constantemente através dos ligamentos periodontais.
     As arcadas dentárias maxilares são ligeiramente curvas, ao contrário das mandibulares, que são retas. Isso causa uma sobreposição de dentes caracterizada pela falta de contato entre a superfície oclusal palatal maxilar e as arcadas mandibulares, e da superfície oclusal lingual mandibular e as arcadas superiores, onde são geralmente encontradas as formações pontiagudas de esmalte.

MASTIGAÇÃO
    

Os dentes incisivos, com as superfícies oclusais planas e mordedura em torques, tem como função a preensão dos alimentos. Os molares, com superfícies irregulares, trituram os alimentos pela excursão lateral da mandíbula, movimento permitido pelas articulações têmporo-mandibulares do cavalo e pela angulação de cerca de 15 graus das arcadas maxilares e mandibulares.
     O alimento é empurrado para as partes mais caudais da boca por meio de movimentos da língua e da presença das cristas palatinas, desenhadas para direcionar o alimento para os dentes molares.
     Durante o processo da mastigação, o alimento é pressionado entre as arcadas, num movimento vertical. A seguir, a mandíbula movimenta-se lateralmente, o que envolve a face oclusal bucal dos dentes mandibulares movimentando-se medialmente sobre a face oclusal palatal dos dentes maxilares. Os músculos pterigoídeos e massetéricos possuem papel vital na mastigação dos eqüinos.
     Os dentes caninos e os dentes do lobo não possuem função efetiva na mastigação.

TRATAMENTOS
    

Os tratamentos variam muito dependendo do caso clínico, indo desde o grosamento das pontas de esmalte, extrações dentárias até colocação de aparelho móvel (plano horizontal) ou fixo (procedimento cirúrgico com fios de aço, acrílico e placas de metal) para correção da oclusão. Como rotina, o grosamento das pontas de esmalte, o ajuste da oclusão e a extração do P, e de dentes decíduos são os tratamentos mais comuns realizados, não sendo incomum, porém, a observação de fraturas nos dentes, com poucos casos de envolvimento de doença periodontal e abscessos periapicais.
     Como os dentes dos eqüinos estão em constante erupção, a manutenção dos tratamentos que envolvem desordens de desgaste e ou erupção deve ser realizada conforme a gravidade da situação, a cada seis meses ou anualmente.
     Os exames complementares mais comumente requisitados são os radiológicos e os endoscópicos, principalmente nos casos de sinusites, fraturas severas e disgenesias e agenesias dentárias.

ASPECTOS IMPORTANTES
    

Há basicamente dois aspectos importantes sobre a prática da odontologia e ortodontia em eqüinos. 
1) Saúde: distúrbios da alimentação podem estar diretamente relacionados com a qualidade dos movimentos mastigatórios. Animais que tem dificuldade em ganhar peso, apresentam desconforto abdominal periódico, diarréia crônica, alimentam-se de forma considerada anormal e necessitam constantemente de suplementos vitamínicos devem ser examinados para, no mínimo, se descartar problemas da cavidade oral.
2) Performance: animais que reagem a embocadura ou não se acertam com nenhuma ou apresentam dificuldade em certas manobras sob comando de rédeas devem ser examinados para, no mínimo, se descartar problemas na cavidade oral.
     Na maior parte das vezes, o tratamento é relativamente simples e apresenta resultado imediato, porém há necessidade de material e treinamento veterinário adequados.

ACHADOS MAIS COMUNS

  • Formações pontiagudas, como pontas de esmalte, bicos ou ganchos (pontas geralmente encontradas nas superfícies oclusais dos dentes P2 e M3).
  • Lacerações nas bochechas causadas por pontas dentárias.
  • Má oclusão dos dentes molares, como rampas, degraus e arcadas onduladas.
  • Má oclusão dos dentes incisivos, como curvatura ventral, dorsal e mordedura em diagonal estão geralmente associadas a má oclusão dos molares.
  • Dentes do lobo são geralmente extraídos, pois podem interferir com a embocadura.
  • Cálculos.
  • Anormalidades na erupção dos dentes, que podem causar posteriores deformidades nas arcadas, falha no deslocamento de dentes decíduos e retenção de fragmentos.
  • Fraturas.

ACHADOS MENOS COMUNS

  • Dentes Supranumerários
  • Anodontia
  • Braquignatismo
  • Doença Periodontal
  • Cáries
  • Lacerações na língua
  • Tumores
  • Desvio de septo congênito Campylorrhinus lateralis (Wry nose)
  • Disgenesia dentária
  • Processos degenerativos da ATM

BIBLIOGRAFIA

  1. W.Leon Scrutchfield, Jim Schumacher: Examination of the oral cavity and routime dental care. Veterinary Clinics of North America 9:I, 1993, p123
  2. Gordon J.Baker, Jack Easley Equine Dentistry, London, W. B. Saunders, 1999.

* Formada pela Faculdade Antonio Secundino de São José, em Pinhal (SP) e tem estágios e atividade profissional nos EUA em odontologia eqüina

FONTE:
Revista Saúde Eqüina – Número 14 - 1999
Editora Segmento Ltda
R Cunha Gago, 412 1ª – CEP 05421-001 – São Paulo-SP
Tel/fax: (11) 3819-4883 / 3097-9067

 

Notas gerais sobre alimentação

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1.Os cavalos possuem um estômago pequeno (máximo 15 litros), e fazem melhor uso de refeições freqüentes e em menores quantidades.

2. Mudanças súbitas na ração podem causar indigestão e cólica. Sempre introduza mudanças na dieta gradualmente, levando um período de 4 a 7 dias.

3. Reconheça um cavalo em más condições físicas pela perda de musculatura nos lados da cernelha e sobre a garupa. Não confunda um cavalo com uma "barriga de feno", com um cavalo gordo.

4. As causas comuns de uma "barriga grande" são: a) grande ingestão de volumoso; b) proteína insuficiente na ração; c) parasitismo e d) combinação desses fatores.

5. Não misture concentrado com volumoso no momento do fornecimento, pois o volumoso carrega o concentrado mais rapidamente, impedindo sua total digestão e dificultando a absorção dos nutrientes digeridos.

6. Falta de volume no alimento ou muito grão podem causar cólicas de indigestão e retenção de fezes, levando o animal ao vício de mascar madeira.

7. Quando o animal está estabulado, sua última refeição deve ser de volumoso.

8. Excesso de grãos (ração) predispõe ao aguamento.

9. O cavalo é um animal de hábitos. Mantenha horários regulares de alimentação (pontualidade no arraçoamento).

10. Alimentos estragados (embolorados, poeirentos, úmidos, quentes e com ervas daninhas) ou questionáveis, não devem ser dados aos cavalos, pois podem causar cólica grave, além de outras doenças. Se um punhado de feno não pode ser esmagado sem causar dor ou ferir a mão, é muito duro e áspero para ser usado. "Se há dúvida, jogue fora".

11. Providencie água boa e fresca à vontade, a não ser que o animal esteja com o corpo muito quente. Mantenha os bebedouros limpos. Também não dê grãos a cavalos quentes ou cansados, feno por outro lado, não lhe fará mal.

12. Espere 90 minutos ou mais após a alimentação para exigir trabalho do cavalo.

13. Nunca calcule as rações por volume, sempre pelo peso. Determine as quantidades ideais de concentrado e volumoso diárias do cavalo. Não exagere. E não permita que outros cavalos impeçam um, em particular, de receber sua ração completa.

14. Ajuste o nível de ração e quantidade de acordo com os exercícios de seu cavalo. Não se engane, proprietário! Gordo deve ser o boi e o porco para abate. O cavalo deve ser enxuto e atlético.
Os maiores inimigos do cavalo são o excesso de ração, excesso de confinamento, volumoso de má qualidade e, portanto, o próprio dono.

 

Manejo

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Julio Nottingham

Para falar em manejo de eqüinos temos que pensar primariamente em como funciona o corpo e a mente do cavalo para então concebermos uma estrutura que seja funcional e adequada a este objetivo.

Digo isso porque é comum vermos cavalos sendo manejados em estruturas aproveitadas. Necessariamente não há nenhum pecado nisso desde que a saúde física e mental do cavalo esteja sendo preservada.
O cavalo com seu instinto de animal gregário e predado possui particularidades comportamentais que devem ser consideradas com bastante atenção.
Por exemplo... Claustrofobia: A claustrofobia é inerente a todos os cavalos e pode se manifestar uma vez que o cavalo se encontre em um local onde não possa fugir caso ele interprete que está em perigo.
Cavalos confinados por muito tempo em cocheiras podem apresentar distúrbios de comportamento como agressividade, coprofagia, aerofagia, entre outros, isso tudo porque a natureza do cavalo não indica que ele deva estar confinado e sim em liberdade.
O confinamento de eqüinos também altera hábitos saudáveis como pastar, por exemplo. Quando obrigamos o cavalo a comer em uma cocheira, automaticamente o privamos do pastejo, de cabeça baixa, se deslocando constantemente, em contato com outros da mesma espécie, se divertindo a seu modo ou expressando seu instinto de fuga quando em perigo, fazendo assim, de forma natural, o acúmulo ou desgaste de energia necessário a sua sobrevivência.
O resultados do confinamento por vezes pode acarretar o excesso de energia pelo fornecimento de rações concentradas, o movimento e posicionamento da mastigação alterado e em conseqüência o desgaste irregular da dentição, pescoço invertido no caso de animais que comem em cestas altas, stress, etc e tal.
Também por falta do convívio saudável com outros cavalos pode acontecer como que uma “crise de identidade”, pois os cavalos na natureza, definem suas lideranças, hierarquias, prioridades, possuindo uma estrutura social e identidade própria. Eles se divertem, comem, correm, coçam uns aos outros e etc.
É comum se  ver em hípicas urbanas cavalos com sérios problemas de comportamento. A estes cavalos, infelizmente, lhes foi privado o direito de ser cavalo e à medida que o tempo passa o potencial atlético, esportivo e de trabalho destes cavalos vai sendo corroído pelo estilo de vida insalubre a que são submetidos, resultando em cavalos problemáticos, tristes e por vezes agressivos e perigosos.
Nem tanto o céu e nem tanto a terra. O cavalo faz parte da vida do ser humano a milhares de anos e esta união produz grandes resultados em prol do esporte, lazer e saúde de ambos. Então temos que procurar equilibrar, dentro do possível, esta necessidade de convivência, com um estilo de vida mais saudável para o cavalo, de forma a obtermos melhores resultados no esporte, lazer e trabalho; mais satisfação para ambos - nós, em vermos os cavalos saudáveis não só fisicamente, mas também mentalmente e eles, por estarem tendo um estilo de vida mais motivante e sadia; e menos problemas, pois oferecendo um manejo mais próximo do estilo de vida natural dos cavalos teremos animais muito mais tranqüilos, sem problemas de agressividade, comportamento e saúde, gerados pelo confinamento. Sendo assim teremos cavalos mais seguros e agradáveis de serem montados.

Uma lugar adequado às necessidades básicas de manejo e saúde do cavalo deve ter:

- Baias amplas e bem forradas, constantemente limpas, sem picos bruscos de calor ou frio;
- Piquetes para pastagem, pisoteio e lazer;
- Tronco de contenção para tratamentos e manejos diferenciados;
- Farmácia básica com materiais de primeiros socorros;
- Manejo alimentar saudável; respeitando as quantidades mínimas e máximas; feito de forma preventiva quanto a problemas gastrintestinais;
- Mão de obra treinada especificamente no manejo e lida com cavalos;
- Manejo específico para cada tipo de animal segundo seu peso, idade, atividade e finalidade;
- Atenção aos requisitos de controle sanitário quanto a doenças infecto-contagiosas;
- Controle e parasitas no ambiente e vermifugação periódica.

Tipos de cama mais utilizados para baias:

- Areia;
- Raspa de madeira;
- Estrado de borracha.

 

A PROTEINA NA ALIMENTAÇÃO DOS EQUINOS

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Por: André Galvão Cintra

Historicamente se criou o conceito  de que animal bem tratado deve ter uma alimentação rica em proteína onde o fornecimento de alfafa e rações concentradas com teor de proteína bruta próximos de 15% seriam os ideais para boa performance do eqüino.

Em uma análise técnica, considerando-se individualmente cada categoria animal, sabemos que existem diferenças nas necessidades protéicas de cada categoria.

O fornecimento de proteína é fundamental, devendo ocorrer  de forma balanceada(sem deficiências nem excessos) de acordo com as exigências de cada animal.

Tão importante quanto o fornecimento quantitativo de proteína na alimentação dos eqüinos é a qualidade desta proteína, uma vez que a proteína de cada matéria prima possui digestibilidade diferente.

 

APORTES PROTEICOS PARA POTROS

Uma alimentação adequada para égua desde a fase final da gestação até o terço incial da lactação, garantem uma boa formação músculo-esquelético para o potro, definindo assim,  seu potencial de crescimento. Após o desmame, o potro deverá receber uma alimentação rica em proteína, balanceada de acordo com suas necessidades.

Nesta categoria justifica-se o fornecimento de alimentos como alfafa e rações com teores de proteína líquida igual a 13-14%(PB - 17%) para os potros pós-desmame até os 18 meses de idade e 12%(PB – 15%) para éguas.

APORTES PROTEICOS PARA ÉGUAS EM REPRODUÇÃO

excesso de proteína na alimentação diminuem a fertilidade devido a uma sobrecarga hepato - renal. Isso predispões a um desequilíbrio hormonal prejudicando o catabolismo  dos hormônios sexuais.; pode condizir a uma impregnação do organismo materno por substâncias tóxicas resultantes do catabolismo protéico (aminas) e induzir a um crescimento da mortalidade embrionária.

Por outro lado, as deficiências protéicas inibem as secreção de hormônios gonadotróficos, responsáveis pela atividade ovariana, com conseqüente redução desta e uma freqüente reabsorção embrionária. ela afeta igualmente o crescimento e desenvolvimento do feto.

Por todas estas razões, é necessário um aporte satisfatório e balanceado de proteínas, em geral complementando-se o volumoso com o concentrado adequado.

O fornecimento de alimentos ricos em proteína, como alfafa, somente se justifica em éguas em gestação / lactação, fases onde as exigências protéicas são maiores.
A ração concentrada deve ter um teor de proteína líquida de 12% para se manter uma alimentação equilibrada.

Se a égua não estiver em período gestacional(terço final), ou lactação, devemos considerá-la, para efeito nutricional, como um animal em manutenção, onde os níveis exigidos são inferiores a 9% de proteína líquida.

APORTES PROTEICOS PARA GARANHÕES

As necessidades do garanhão reprodutor em manutenção são ligeiramente superiores às das éguas, em manutenção, da mesma raça devido ao grande desenvolvimento muscular e ao temperamento mais nervoso.

No período de monta, as necessidades comparam-se às de uma égua de mesmo peso em final de gestação, mas podem ser superiores se em período de monta intenso.

Os aportes protéicos ultrapassam as necessidades de manutenção para ativar a produção de glândulas sexuais. Mas os excessos são prejudiciais, pois elevam a reabsorção intestinal de aminas (componente tóxico da proteína, que é eliminado naturalmente quando em condições normais), contribuindo para alterar o vigor e sobrevida dos espermatozóides.

Além disso, estas aminas, quando em excesso, afetam diretamente o bom funcionamento do sistema circulatório (com aumento da freqüência cardíaca e da sudorese) e respiratório (aumento da freqüência respiratória).

A complementação protéica em manutenção se faz com uma ração com 8 a 9% de proteína líquida. Para o período de monta, esta pode cegar a 12 a 13%, semelhante a das éguas reprodutoras.

APORTES PROTEICOS PARA ANIMAIS DE TRABALHO E ESPORTE

Animais de trabalho ou esporte devem ter uma alimentação rica em energia e minerais e mediana com relação a proteína.

Alimentos como alfafa e aveia devem ser muito bem dosado para que não ocorra excesso de proteína, mesmo que o fornecimento de energia, neste caso, seja adequado. Além disso, uma dieta rica e exclusiva de alfafa e aveia causa desequilíbrio mineral, que deve ser corrigido para um bom equilíbrio da dieta.

Uma complementação com excessos protéicos causa os mesmos sintomas descritos para garanhões, devido à absorção excessiva das aminas. É claro que, mais especificamente para o atleta, um bom funcionamento cardio - respiratório  é condição fundamental para uma boa performance.

Para o complemento das necessidades através de uma ração concentrada deve ser considerado o teor de proteína líquina de 9 a 10%, sendo que  na dieta total esta não deve ultrapassar 12%.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Qualquer que seja a categoria animal a ser nutrida, devemos sempre pensar em balancear e dieta do animal, suprindo suas necessidades, sem deficiências nem excessos.

Para isso, podemos sempre contar com o auxílio de FICHAS DE ARRAÇOAMENTO para oferecermos corretamente todos os nutrientes fundamentais: UFC (ENERGIA LÍQUIDA), MDPC (PROTEÍNA LÍQUIDA), CÁLCIO, FÓSFORO, ZINCO E COBRE, lembrando que para cada um existem necessidades nutricionais  que devem ser supridas para o bom desempenho do animal.

EXCESSO DE PROTEINA CAUSAM:

- ENTEROTOXEMIA
- PROBLEMAS HEPÁTICOS
- EMAGRECIMENTO
- PRBLEMAS RENAIS
- MÁ RECUPERAÇÃO APÓS ESFORÇO
- TRANSPIRAÇÃO EXCESSIVA
- CÓLICAS
 - TIMPANISMO                                             

A Performance esportiva é fruto de 3 fatores:    
                                GENÉTICA X TREINAMENTO X LIMENTAÇÃO

As necessidades básicas são:
                                          ENERGIA – MINERAIS - PROTEÍNA

Minerais necessários em qautnidades mais elevadas podem ser fornecidos através de eletrólitos:
                         CLORO – SÓDIO – POTÁSSIO – CÁLCIO - MAGNÉSIO

O fornecimento de minerais os quais o cavalo não tenha real necessidade pode trazer prejuízos, como por exemplo:
* Excesso de Cálcio – prejudica a absorção de diversos micro-minerais
* Excesso de fósforo – (como os contidos nos cereais milho/trigo) leva a problemas na absorção  de cálcio com conseqüente desmineralização óssea, levando a distúrbios como: cara inchada, esqueleto frágil, claudicações.

* Excesso de ferro – não aumenta a perfornace esportiva e prejudica a absorção de zinco e cobre. Acelera a utilização de vitamina E, podendo causar lesões musculares, miosites, cãibras, levando ainda a degeneração hepática em doses muito elevadas.

André Galvão Cintra
Médico Veterinário
Consultoria em Nutrição Eqüina
Professor FAJ e FATU
e-mail: andre@cavalo-bretao.com.br

 

Proteína X Energia


por André Galvão Cintra

Ao calcularmos os nutrientes fornecidos pelo alimento oferecido aos cavalos, devemos lembrar que a dieta deve ser composta de volumosos (capins, fenos) e concentrados (rações, grãos). Às vezes, os teores de nutrientes dos volumosos, e a variação dos mesmos de acordo com tipo de gramínea, ou mesmo numa mesma gramínea de acordo com a época do ano, não são levados em conta na formulação de um arraçoamento equilibrado. Comprar uma “ração 12% de proteína” não significa que o cavalo estará comendo o equivalente a 12% de proteínas em sua dieta total, mas sim que, a cada quilograma de ração fornecido, o animal está ingerindo 120 g de proteína bruta. Devemos levar ainda em consideração, a qualidade desta proteína que está sendo oferecida, pois é esta qualidade que determina o valor nutricional, em aminoácidos, deste ingrediente.
Acima de tudo, o concentrado precisa ser considerado complemento nutricional do volumoso, e não o inverso. Simplificando – a ração fornece os nutrientes nos quais o pasto e o feno são deficientes – portanto, os eqüinos precisam comer o máximo possível de volumoso. O concentrado deve ser pouco, de boa qualidade e bem equilibrado nutricionalmente. Infelizmente, há em nosso país uma tendência a tentar compensar deficiência de volumoso aumentando o concentrado, bem como de achar que “muito” concentrado de qualidade inferior é melhor para os cavalos do que uma quantidade menor de ração de ótima qualidade.
Assim, ao utilizarmos volumoso rico em proteína (ex.: feno de alfafa, guandú), o complemento deve ser de baixo teor protéico. Para cavalos de esporte, não recomendo volumoso com valor protéico acima de 10-11%, pois fica difícil equilibrar a dieta.
Há um “mito de proteína elevada”, onde se considera que alimento bom é aquele com valor protéico elevado. Ração com 15% de proteína é recomendada para éguas em reprodução e potros entre 18 e 36 meses de idade. Outras categorias não têm necessidade deste valor protéico na ração.
O trabalho muscular é condicionado ao consumo de energia, e não de proteína. Comparativamente, o cavalo de esporte necessita de cerca de 10 a 20% a mais de proteína que um cavalo em manutenção, e 50% a menos que uma égua em reprodução. Portanto, ao se escolher a melhor dieta para o cavalo, devemos priorizar alimentos energéticos e não protéicos. Proteína, somente em qualidade, com pouca quantidade.
Em relação à energia, o cavalo de esporte e trabalho tem uma necessidade energética de 25% a 100% acima do cavalo em manutenção (depende da intensidade do trabalho).
A égua em reprodução, do 1º. ao 8º. mês tem necessidade energética semelhante ao cavalo em manutenção. No 9º. mês esta necessidade se eleva em 10%, no 10º. mês em 13% (em relação à manutenção) e se eleva em 20% em relação à manutenção no 11º. mês.
No estado de São Paulo, costuma-se recomendar feno de tífton e coast-cross para cavalos de esporte. Estes fenos têm sido encontrados, especialmente nos meses de primavera, com valores superiores a 13-14% de proteína, análise feita e comprovada, e muitas vezes exigida pelo proprietário do cavalo. Neste caso, o teor é praticamente equivalente ao de leguminosas (alfafa). Ou seja, os problemas derivados do fornecimento excessivo de proteína (como no caso do uso intenso da alfafa) continuam com um feno deste tipo, ainda que seja de gramínea.
As necessidades em proteína e energia são variáveis conforme a categoria animal e devem ser oferecidas de forma a suprir a necessidade do animal, sem deficiências nem excessos.
Em termos nutricionais, temos 05 categorias de animais com necessidades diferenciadas, com 11 sub-categorias: Animais em Manutenção, Éguas em Reprodução (Gestação – do 1º. ao 8º. mês e terço final - e Lactação), Potros em Crescimento (Desmame aos 18 meses e dos 18 aos 36 meses de Idade), Garanhões em Monta (Leve, Média e Intensa) e Cavalos de Trabalho (Leve, Médio e Intenso).
O manejo moderno de cavalos reproduz um problema muito comum da alimentação humana: ao mesmo tempo em que mundo afora milhões de pessoas não têm o que comer, a epidemia de obesidade ameaça se tornar a doença mais difundida no primeiro mundo. De maneira semelhante, muitas pessoas dispostas a investir no trato de seus animais acabam alimentando-os de maneira excessiva ou desequilibrada, originando uma série de distúrbios desde crônicos até super-agudos, sempre encabeçados pela nossa tão temida cólica.
O cavalo tem capacidade de digerir, sem muitos problemas, até 30% de nutrientes além de suas necessidades. Isto vale tanto para energia como para proteína, considerando a dieta total, isto é, tudo aquilo que o cavalo ingere ou recebe em um período de 24 horas. Dietas que oferecem, diariamente, uma quantidade superior a isto podem causar desequilíbrios e levar a problemas desagradáveis.
Entendendo o processo digestivo
A digestão das rações, grãos e maioria dos suplementos ocorre no estômago e nas porções iniciais do intestino delgado. A capacidade volumétrica do estômago do cavalo é de cerca de 9% do volume possível de seu aparelho digestivo, ficando o Intestino Delgado (ID) com 21% (possui cerca de 20 m de comprimento) e o restante, 70%, é a capacidade do intestino grosso (IG) (ceco e cólon).
O estômago e ID realizam uma digestão essencialmente enzimática e o IG uma digestão microbiana. Devido à baixa capacidade volumétrica do estômago, e mesmo do ID, o tempo que o alimento fica sofrendo o processo digestivo é relativamente curto, suficiente para uma dieta em que não haja excesso de concentrado.
Quando a dieta é muito rica em grãos, o amido existente nestes grãos não é digerido totalmente nas porções iniciais do aparelho digestivo, indo parar no intestino grosso, onde sofrerá um processo de digestão microbiana. O que antes era enzimático, com ótimo aproveitamento pelo animal para suprir suas necessidades, passa agora a ter ação da microbiota natural.
Porém, já que os microorganismos não são “habituados” a lidarem com amido (sendo sua função digerir os carboidratos simples presentes nos volumosos), o processo digestivo passa a ter um componente fermentativo com diversas conseqüências, tais como:
* timpanismo por produção excessiva de gases;
* diarréias (cavalos que ingerem excesso de óleo e energia possuem fezes mais amolecidas, o que leva à perda de nutrientes e água);
* o excesso de gordura saponifica o magnésio, tornando-o indisponível ao organismo, levando a problemas neurológicos e musculares (o magnésio é calmante do sistema nervoso e responsável pelo relaxamento da musculatura);
* queda do tônus digestivo levando a contrações e possíveis cólicas;
* dilatação do ceco, pelo excesso de gases, levando a cólicas;
* degeneração cardíaca, hepática e renal;
* e, A MAIS IMPORTANTE DE TODAS: DISMICROBISMO. O dismicrobismo é uma perturbação da flora intestinal, levando a desequilíbrios, com conseqüente diminuição na absorção dos nutrientes, quadros de hepatotoxemias, e, pior de tudo, cólicas e laminites (ou aguamento).
O processo ideal de alimentação do cavalo é aquele que mais se aproxima de sua natureza.
Em liberdade, com livre acesso aos alimentos volumosos, o cavalo se alimenta por 15 a 18 horas diárias.
Somente com feno, este tempo cai para 7 a 8 horas, e se priorizarmos o fornecimento de ração concentrada, este tempo cai para 1 a 2 horas por dia, com conseqüentes distúrbios comportamentais e físicos.
Quando fica muito tempo ocioso, sem ter o que comer, o cavalo passa a ter problemas comportamentais com vícios como a pica, isto é, ingestão de substâncias não comuns a sua dieta, como areia, fezes, borracha, porta da baia, etc., Além de aumentar os riscos de cólicas, e alterações em seu humor, ficando mais irritadiço. Claro que a prevenção para isso não é dar comida demais para o cavalo, mas sim de forma equilibrada, priorizando o volumoso e os alimentos energéticos, além de adequar o manejo a esta condição, soltando mais o cavalo, trabalhando-o de forma adequada, etc.
Quanto à adequação do manejo, quanto mais fracionarmos o alimento no momento de o darmos ao cavalo, melhor será sua absorção, isto é, se preciso dar 4 kg de ração, e puder oferecer em 04 refeições, o resultado será muito melhor do que se dividir em 02 ou mesmo se der em uma refeição somente. Além disso, quanto mairo for a quantidade de alimento concentrado oferecido de uma só vez, maior será o risco de cólica. Não devo jamais ultrapassar 2,5 kg de ração em uma única refeição (base para um cavalo de 500 kg; cavalos menores, menor quantidade por refeição) sendo ideal trabalhar na faixa de 1,5 kg a 2,0 kg por refeição.
Da mesma forma, devo tomar cuidado na adaptação a um novo tipo de alimento. Como já falado no início, a digestão do cavalo é de duas formas, enzimática e microbiana. Cada vez que for introduzir um novo tipo de alimento na dieta do cavalo, devo fazê-lo de forma gradativa, para que a flora intestinal possa se adaptar a este novo tipo de alimento. Esta adaptação deve durar no mínimo 15 dias, podendo se estender até a 30 dias caso necessário. Isto é necessário para se prevenir problemas de cólicas, por exemplo. Por este motivo, é que somente devo modificar a dieta de meu cavalo, modificando drasticamente o volumoso ou concentrado, quando houver disponibilidade de tempo para que meu cavalo se adapte a este novo alimento, caso contrário, corro o risco de queda na performance dele no meio de um campeonato, por exemplo.
Também é preciso muito cuidado na escolha de uma marca comercial de ração. A presença de aveia e milho não torna uma ração apta a ser recomendada para cavalos de alta performance. É importante considerar os níveis de garantia do produto, indicados no rótulo, além é claro da confiabilidade da empresa que a produz. Hoje mais que nunca, as aparências das rações enganam muito. Beleza, aparência, não quer dizer qualidade, e é isso que o cavalo precisa, seja de esporte, criação ou somente lazer.
André Galvão Cintra
Médico Veterinário
Consultoria em Nutrição Eqüina
Professor FAJ e FATU
e-mail: andre@cavalo-bretao.com.br

 

Qual a quantidade correta de ração

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Um cavalo consome, aproximadamente, de 0,5 a 1,0% de seu peso vivo em ração. Um cavalo de 500 kg, por exemplo, consumiria de 2,5 a 5,0 kg de ração por dia. Vale lembrar que a quantidade necessária a cada animal depende da sua idade, sua função e no caso de animais atletas, de sua intensidade de trabalho. É importante também frisar que todos os equinos devem consumir no mínimo a mesma quantidade de feno ou três a quatro vezes esta quantidade de capim verde.

Cavalos atletas precisam de alta proteína?

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Não. Animais adultos de modo geral já não têm necessidade de alta proteína na dieta, uma vez que seu crescimento já está estabilizado. A necessidade proteica de um cavalo adulto é direcionada para a reposição do tecido muscular e não mais para sua formação. Os animais atletas precisam de energia para realizar o trabalho diário de exercício. Portanto, é a energia e não a proteína o nutriente mais importante para esta categoria equina. A necessidade de proteína de um cavalo atleta é semelhante à de qualquer animal adulto. O excesso de proteína para animais atletas é, inclusive, prejudicial &agr