MUNDO DO CAVALO

 

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ENTREVISTA EXCLUSIVA CONCEDIDA POR ALUISIO MARINS, REITOR DA UNIVERSIDADE DO CAVALO, AO MUNDODOCAVALO.COM.BR 

A Universidade do Cavalo, representada por você, em maio de 2007, realizou o quarto curso no Ceará, organizado pelo Júlio Nottingham.

Qual sua impressão sobre o mercado de cavalos no Ceará e no nordeste, baseado nos cursos que você ministrou?

R.:O Nordeste tem um aspecto relevante sobre os outros estados, e que pouca gente imagina - o aspecto cultural da vaquejada que é enraizada na população. Com isso, as pessoas vivem e respiram a modalidade, além de seguirem técnicas e modelos de trabalho dos cavalos há muito tempo, mesmo que às vezes sem uma preocupação estritamente técnica ou abertura para novas frentes. Com o passar do tempo, além de fazer muitos amigos, enxergamos no Nordeste uma ótima tendência à abertura ao aprendizado e às novas idéias de como se trabalhar e viver com cavalos. Penso que o mercado de cavalos no Nordeste é muito amplo, muito grande e especialmente de grande potencial. Realmente falta conhecimento global sobre cavalos, mas não diferente de outros estados brasileiros. O que que precisa é de uma nova abertura para novas técnicas e conceitos, para que este mercado e este potencial crescam mais ainda. Crescer é algo importante, mas crescer com solidez e conhecimento é estritamente fundamental.

Como e quando começaram os cursos no Nordeste? Como tem sido esta parceria?

R.:Nossos cursos começaram em Outubro de 2005. A Universidade do Cavalo tem coordenações de cursos em todo o Brasil, e o Ceará é coordenado pelo Julio Nottinghan, que já havia participado de cursos em Sorocaba. O coordenador tem a chancela da UC para organizar os cursos da UC no estado e elaborar programas e consultorias onde possamos estar presentes com nossos programas. Esta coordenação vem sendo muito bem executada pelo Júlio, que além de extremamente profissional, vem cada vez mais se firmando como um grande parceiro da UC.

O Nordeste tem hoje um plantel considerável de algumas raças, com vocação, especialmente, para modalidades de trabalho. Seria correta esta afirmação?

R.:Acho que sim. As modalidades de trabalho são geralmente as mais populares exatamente por advirem da vida das pessoas no dia a dia com os cavalos. A vaquejada por exemplo vem do dia a dia das pessoas que trabalham nas fazendas, a partir da necessidade de se derrubar um boi, etc. A corrida é outro mercado forte no Nordeste, e movimenta cifras interessantes. Como em todos os mercados, a busca pela profissionalização e a reciclagem de conhecimento é cada vez mais necessária e infinita. Nunca deve-se parar de buscar conhecimento.

Como Reitor da Universidade do Cavalo e viajando por todo o Brasil ministrando cursos e participando dos mais variados eventos eqüestres, como você situaria o Ceará e o Nordeste dentro do cenário Nacional?

R.:O Nordeste na minha opinião tem uma situação presente que podemos considerar "chave" para o futuro. Dependendo do que se fizer agora, teremos um futuro positivo ou negativo. Posso parecer redundante ou repetitivo, mas a base de tudo o que se faz com cavalos está no conhecimento das pessoas. Vejo situações extremas para os dois lados. Conheço gente que não sabe nada, que não quer aprender nada e que pensa que sabe tudo. Ao mesmo tempo conheço gente de conhecimento e principalmente aplicando este conhecimento, e conheço gente que sabe pouco, mas tem abertura para o conhecimento. Estes serão o futuro do mercado de cavalos no Nordeste. Em números, o Nordeste é um dos grandes compradores e celeiros de cavalos, aumentando, assim, o potencial do nosso mercado. Lembremos que o mercado do Nordeste não é somente fechado na vaquejada, mas também e talvez principalmente nos marchadores, no passeio e nas cavalgadas. Este talvez seja um dos grandes mercados futuros do Nordeste em termos de cavalos. 

Falando em Nordeste temos que falar em vaquejada....

A ABQM tem desafiado os vaqueiros, mediante a realização do Potro do Futuro de Vaquejada, a adotarem novas técnicas e ferramentas de trabalho que deverão remexer com os praticantes e treinadores. Fale-nos sobre isso:

 

R.:Quando falamos em técnicas e ferramentas, penso que devamos seguir exemplos. No mundo todo o que se prioriza atualmente é o bem estar e a saúde de cavalos, de forma a termos mais resultados de performance da forma mais leve, segura e saudável para os cavalos. Muita gente ainda não acredita nisso, mas é fato no mundo todo, na maioria das modalidades. Fatores como stress, repetição e violência não são tidos como exemplares e principalmente, estão cada vez mais sendo considerados punitivos. O doping também está fora de cogitação. Lembremos que um simples analgésico para "aliviar a dor no trabalho" é doping e prejudica o animal. A ABQM, assim como qualquer associação de raça, quando oficializa uma modalidade, tem o dever de fazer o papel de regulamentador desta modalidade nas provas oficiais. E regulamentar significa preservar o bem estar dos cavalos, entre outras coisas. Todos sabemos das situações de sangue em todas as modalidades, e na vaquejada não é diferente. O sangue não pode ser permitido, pois nos mostra a falta de bem estar animal, entre outras coisas. As ferramentas utlizadas na vaquejada não são as culpadas, mas sim a forma como são utilizadas, e a forma como os cavalos são treinados. Uma espora mal utilizada corta um cavalo. Não a espora da vaquejada, mas qualquer espora. Uma embocadura mal utilizada, machuca qualquer cavalo. A utilização de freios e bridões pode ser uma saída interessante para o fato de termos sangue nas provas, já que a professora ou a cortadeira realmente são fortes, pelas mãos dos cavaleiros. O fato maior a ser colocado aqui é que será cada vez mais forte a tendência em se acabar com o sangue em provas oficiais, pela própria pressão inevitável que a ABQM irá sofrer. Assim, penso que quem tiver a abertura de sair na frente dos outros utilizando bridões ou freios de forma correta terá mais chances de se diferenciar no mercado da vaquejada. Ainda, não são somente as questões de sangue, embocaduras e esporas que cercam esta tendência do bem estar animal. A forma de treinamento, a alimentação, o condicionamento físico e os aspectos gerais de manejo são fundamentais de serem enaltecidos no dia a dia dos cavalos.

 

A vaquejada está crescendo e se lapidando para fixar cada dia mais o status de esporte. Isso está mesclado com fortes raízes culturais. Quais os pontos positivos e negativos desta característica?

R.:O ponto positivo é que ao se tornar um esporte legítimo novas regulamentações deverão aparecer em prol dos cavalos. O ponto negativo também pode ser este... Doping, stress, treinamentos errados, ferramentas sendo utilizadas de forma errada, etc, serão cada vez mais abolidos do mercado. Para exemplificarmos isso, pense na prova de enduro equestre: na categoria máxima, o conjunto tem 160km para cumprir, geralmente a galope, onde quem chegar primeiro ganha. Se a modalidade se restringisse somente a estas regras que coloquei aqui, provavelmente não a teríamos mais no mundo, pois muitos cavalos morreriam por prova, etc. Com a regulamentação da modalidade, criaram-se regras para a preservação dos cavalos, os exames anti doping, as paradas obrigatórias de descanso e checagem veterinária, enfim, todo um estudo e uma análise muito criteriosa da modadlidade, onde o cavalo é o principal objeivo de preservação.

 

Quais as atividades eqüestres que você enxerga com maior potencial para se desenvolver nos próximos anos?

R.:Acho que as modalidades que aliem técnicas de equitação como um todo, emoção e envolvimento de famílias. E, também, as modalidades onde amadores consigam cumprir com a prova, mas com exigências claras de treinamento e equitação.

 

No mercado de cavalos como um todo qual a perspectiva quanto a profissionalização a aprimoramento da mão de obra.

Ainda tem muito informalismo neste mercado? como você vê esta situação?

R.:Vejo esta situação como uma via de um rumo só. Cada vez mais não haverá espaço para o não profissionalismo, para o não conhecimento, para a falta de critérios. Vejo que o empirismo irá sempre existir, mas seguido de prejuízos ao proprietário do cavalo.

Quais as vantagens em investir na qualificação dos profissionais que prestam serviços a criadores e cavaleiros?

R.: Economia financeira, saúde e bem estar dos cavalos, segurança dos proprietários e principalmente a evolução do mercado de cavalos brasileiros como um todo.

 

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