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INDICE
Fonte: ABQM – Associação
“Um problema que cada vez mais assusta as pessoas ligadas ao cavalo atleta.”
Síndrome Navicular, Síndrome Podotroclear, Doença do Navicular, Dor Digital Palmar ou “Dor de Talão” são nomes dados ao conjunto de alterações degenerativas que envolvem o aparelho navicular (podotroclear) do cavalo, e são responsáveis por cerca de um terço de todas as formas de claudicação (manqueira) crônica dos cavalos.
É um processo crônico envolvendo na grande maioria das vezes os membros anteriores dos cavalos. É caracterizado pela dor com origem no osso sesamóide distal (osso navicular) e/ou nas suas estruturas relacionadas, incluindo ligamentos, a bursa do navicular e o tendão flexor digital profundo (TFDP), o que proporciona a uma grande variedade de manifestações clínicas.
Pode ocorrer em cavalos com diversos tipos de conformação de membros. É uma condição freqüente em cavalos Quartos de Milha, Appaloosas e Paint Horses, que tendem a ter dígitos (porção do membro abaixo do boleto) estreitos, cubóides, tendendo a verticalização, e pequenos em relação ao seu peso corporal. É comum também em cavalos Puro Sangue Inglês que frequentemente apresentam cascos rasos, com talões baixos e colapsados, geralmente associados a desequilíbrio dorso-palmar do dígito. Figuras 1 e 2
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Figura 1: Eixo podofalangeano. Desequilíbrio dorso-palmar acentuado, condição também denominada de quebra caudal de eixo. |
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Figura 2: Casco Anterior Esquerdo - Desequilíbrio médio-lateral. A altura do talão lateral é de 6,20 cm, enquanto que a do talão medial é de 6,62 cm. |
Cavalos que realizam esportes de grande impacto nos membros anteriores como apartação, rédeas, tambor e baliza, laço ou salto apresentam grandes riscos de desenvolver o processo.
Considerações Anatômicas
O aparelho navicular (podotroclear) é constituído pelo osso navicular, seus ligamentos colaterais (ligamento suspensor do navicular), pelo ligamento sesamoídeo ímpar distal, pela bursa do navicular e pelo ligamento anular digital distal. O osso navicular se articula com as falanges média e distal, proporcionado um ângulo constante de inserção e mantendo a atividade mecânica do TFDP. Figuras 3 e 4
Figura 3 :
A - Corte anatômico sagital do dígito.
B – Detalhe do aparelho podotroclear.
1 – Primeira Falange;
2 – Segunda Falange;
3 – Terceira Falange;
4 – Osso Navicular;
5 – Articulação Interfalangeana Proximal;
6 – Articulação Interfalangeana Distal; |

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7 – Ligamento Sesamoídeo Colateral;
8 – Ligamento Sesamoídeo Ímpar Distal;
9 – Recesso Proximal da Articulação Interfalangeana Distal;
15 – Sola do Casco. |
10 – Bursa do Navicular;
11 – Tendão Flexor Digital Profundo (TFDP);
12 – Coxim Digital;
13 – Parede do Casco;
14 – Ranilha; |

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Figura 4: Imagem de ressonância magnética sagital das estruturas normais do aparelho podotroclear.
2 – Segunda Falange;
3 – Terceira Falange;
4 – Osso Navicular;
6 – Articulação Interfalangeana Distal;
7 – Ligamento Sesamoídeo Colateral;
8 – Ligamento Sesamoídeo Ímpar Distal;
9 – Recesso Proximal da Articulação Interfalangeana Distal;
10 – Bursa do Navicular;
11 – Tendão Flexor Digital Profundo (TFDP);
12 – Coxim Digital. |
Etiopatogenia (Origem do problema)
A causa da Síndrome Navicular ainda permanece desconhecida. Historicamente, existem muitas teorias que tentam explicar o desenvolvimento dessa síndrome. Um grupo de pesquisadores defende a hipótese de uma etiologia vascular, e outro defende a hipótese de a síndrome navicular ter sua origem em alterações biomecânicas. Já um terceiro grupo defende apresenta uma teoria mais recente que propõe que a Síndrome Navicular seja decorrente de remodelamento ósseo, causado por estresses excessivos aplicados sobre o aparelho podotroclear.
Independentemente da teoria, sabe-se que quartelas muito retas e tendendo a verticalização exacerbam a concussão na região dos talões. Além disso, os cavalos que apresentam a conformação pinças longas-talões escorridos, caracterizados por talões fracos e colapsados, apresentam uma capacidade inferior de dissipar forças concussivas em relação aos cavalos de cascos normais.
Exame Clínico
Os primeiros sinais clínicos são geralmente observados em cavalos com idade média de 7 a 9 anos, apesar de a doença ocasionalmente ocorrer em animais mais jovens. A maioria dos cavalos com Síndrome Navicular apresenta histórico de queda de desempenho progressiva, encurtamento do passo, ou claudicação intermitente de membros anteriores, que geralmente é acentuada em piso duro. Ocasionalmente, o cavalo pode apresentar claudicação aguda de membro anterior, moderada ou severa, e geralmente unilateral.
Entre os exames complementares rotineiramente realizados destacam-se os testes da pinça de casco (Figura 5) e os de flexão e extensão digital (Figura 6). Porém, a resposta dos animais frente a esses testes é variável e esta relacionada à localização estrutural do processo degenerativo.
As anestesias perineurais são métodos eficazes para a determinação da claudicação relacionada à região palmar do casco, mas são procedimentos pouco específicos quanto à determinação da natureza da estrutura envolvida no processo doloroso. Esta técnica consiste na aplicação de um anestésico local, ao redor dos nervos responsáveis pela sensibilidade dos membros. |

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Outros procedimentos anestésicos diagnósticos mais específicos incluem a anestesia intra-articular interfalangeana distal (aplicação de anestésico local no interior da articulação interfalangeana distal), e a anestesia da bursa do navicular (aplicação de anestésico local no interior da bursa), que apesar de ser a mais difícil de realizar, é a técnica anestésica de maior acurácia no diagnóstico da Síndrome Navicular. |
Figura 5: Teste da Pinça de Casco. Diversas posições objetivando pressionar as estruturas do aparelho podotroclear e acentuar uma possível resposta dolorosa |

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Figura 6: Teste de Extensão Digital. Um membro é colocado sobre uma estrutura angulada visando à extensão das estruturas do dígito. O membro contralateral é mantido em suspensão por cerca de 1 minuto. Em seguida o animal é trotado e um aumento da claudicação avaliado. |
Diagnóstico por Imagem
O exame radiográfico do digito é um dos meios mais eficazes de se determinar possíveis lesões relacionadas à Síndrome Navicular. Para um exame detalhado das estruturas relacionadas são necessárias diversas posições radiográficas, a fim de se obter imagens adequadas das diversas faces do osso navicular.
As alterações radiográficas mais frequentemente relacionadas à doença do navicular incluem: perda da distinção córtico-medular ou esclerose (aumento da densidade do canal medular do osso), presença de cistos ósseos, remodelamento dos bordos proximal e distal do osso navicular (formação de entesiófitos), lise do córtex flexor (superfície em contato com o TFDP); rasamento ou erosão da crista central do osso; e, mais controversamente, a associação da doença ao aumento de tamanho e alteração da forma dos forames do bordo distal (fossas sinoviais) que são pequenas aberturas na superfície óssea. Figuras 7, 8 e 9.
Por outro lado, a ausência de alterações radiográficas não exclui o diagnóstico de síndrome do navicular. Muitos casos estão relacionados às lesões de tecidos moles da bursa, dos tendões ou dos ligamentos de suporte. Estas lesões não são visíveis no exame radiográfico, e muitas vezes requerem a realização de um exame ultra-sonográfico para o seu diagnóstico.

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Figura 7: Posições radiográficas dorsoproximal-palmarodistal oblíqua, ilustrando algumas diferenças entre um animal normal e um animal acometido pela síndrome navicular. |

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Figura 8: Posições radiográficas palmaroproximal-palmarodistal oblíqua, também conhecida com “skyline”, ilustrando algumas diferenças entre um animal normal e um animal acometido pela síndrome navicular. |

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Figura 9: Posições radiográficas látero-medial, ilustrando a diferença entre um animal normal e um animal acometido pela síndrome navicular. |
A ultra-sonografia proporciona imagens de tecidos moles, e representa uma técnica complementar excelente à radiologia nos diagnósticos eqüinos. No dígito, é possível realizar uma avaliação parcial das estruturas presentes no interior do casco. É possível observar lesões no ligamento sesamoídeo ímpar distal e no TFDP, e também permite avaliar o contorno do osso navicular e a qualidade e quantidade de líquido presente no interior da bursa.
Outros métodos extremamente eficazes no diagnóstico da Síndrome Navicular e que, muitas vezes só através deles é possível de se obter um diagnóstico definitivo, incluem a Cintilografia Nuclear (Figura 10), a Ressonância Magnética (Figura 11) e a Tomografia Computadorizada, porém eles ainda não estão disponíveis no Brasil para o uso em eqüinos.
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Figura 10: Cintilografia nuclear óssea dos membros anteriores de um eqüino. A seta indica maior atividade óssea nesta região. |

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Figura 11: Imagem de ressonância magnética do aparelho podotroclear.
A – Corte sagital.
B – Corte Transversal. Há uma área focal de alto sinal no córtex ósseo palmar do osso navicular (seta). Este cavalo apresentava evidências clínicas, radiográficas e ultra-sonográficas de Síndrome Navicular. |
Dra. Maria Julia Andrade Moreira – Médica Veterinária – Atua na área de Medicina Esportiva Eqüina em todo o Brasil. Contato: (14) 9708-9669 ou (14) 9112-4916. Na internet: http://www.mjm.vet.br ou por E-mail: contato@mjm.vet.br
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Dr. Reuel Luiz Gonçalves
Porque os cavalos se alcançam? Quando o uso de tendoneiras e cloches são necessários para prevenção destas feridas? Um ferrador pode corrigir os defeitos que levam um cavalo a se ferir desta maneira? Estas são algumas das perguntas mais freqüentes que recebemos dos proprietários no dia a dia da clínica veterinária.
Os alcances são feridas que acometem um cavalo quando este se dá uma pancada inoportuna na sola ou atrás de sua pata ou casco. Ou seja, é uma traumatologia ligada ao aprumo e à ferragem. Sem este metal cortante pregado nos cascos, não haveria lesões nos membros dos cavalos. Para prevenirem-se, vários proprietários protegem as patas de suas montarias com tendoneiras, cloches e boleteiras. São, enfim, equipamentos que custam caro e duram pouco. Mas será, realmente, que há necessidade de equiparmos nossos cavalos como crianças que estão aprendendo a patinar? E realmente temos de equipar todos os cavalos? Não, exatamente. E mais, não é impossível que o próprio peso destas proteções exerça uma influência nefasta sobre as frágeis articulações eqüinas e seus movimentos
(principalmente em enduro).
Aprumos à risca
Compreendemos que um cavalo "esquerdo ou de cascos arqueados" (que trota como os pés de um palhaço), sobretudo se ele é fechado no peito, tenha mais chance de se alcançar que um cavalo "periquito ou de pés cambaio" (quando os joelhos estão um de frente para o outro).
Os cascos do primeiro descrevem uma curva voltada para o interior, havendo pois maior risco de se encontrarem, enquanto o segundo joga suas patas para fora (conforme esquemas a seguir).
Esquema 1
Um cavalo ao mesmo tempo fechado de frente (cascos convergem um em direção ao outro) e "esquerdo" (as patas são viradas para fora) que têm todas as chances de se provocar lesões.
Um cavalo com bons aprumos trota direito, ou seja, a trajetória que descreve cada um de seus cascos é perfeitamente retilínea, não havendo, pois razão para que o mesmo se toque. Este tipo de cavalo não precisa de proteção a não ser que pratique disciplinas esportivas perigosas, onde pode se desequilibrar ou bater contra os obstáculos do percurso. Assim é evidente que em "cross-contry", pólo, concursos, hipismo rural, ou mesmo em rédeas, seja melhor proteger os membros dos cavalos com material adequado. Em contra partida, para trabalho plano (adestramento), os cavalos com aprumos corretos não têm "teoricamente" a necessidade de se valerem de tendoneiras ou mesmo boleteiras.
Tendoneiras e cloches são particularmente expostos a sujeira. É necessário limpá-los sempre depois que o cavalo utilizá-los e antes de colocá-los. O barro seco ou a areia acumulada pode, com efeito, provocar feridas em conseqüência do atrito. Seria uma pena que estes equipamentos destinados a proteger os membros dos eqüinos venham a machucá-los por falta de higiene. Estas feridas não são lesões. Elas ocorrem em decorrência de equipamentos sujos.
Conformação dos membros e trajetória dos pés
Esquema 2
Aprumos Normais: As patas de um cavalo com bons aprumos descrevem uma trajetória retilínea. As pegadas no solo também são retas. O risco de lesão é mínimo.
Cavalo "esquerdo": O cavalo esquerdo quer dizer aquele que tem patas voltadas para fora, tem tendência a se tocar. Seus cascos descrevem curvas voltadas para dentro.
Cavalo "periquito": ao inverso, nos cavalos periquitos, os joelhos "se olham", têm tendência a raspar-se. Seus cascos descrevem uma curva voltada para fora e raramente eles se machucam.
Como encontrar o "calçado" ideal para seu cavalo
Pode entretanto, ocorrer que um mau ferrageamento leve seu cavalo a se machucar. Assim, um erro no tamanho, mesmo mínimo pode vir a modificar o aprumo conduzindo-o a se ferir ou se alcançar. Toda aparição não habitual de toques ou de barulho de ferraduras justo depois da passagem do ferreiro ou por falta do mesmo devem inquietar o cavaleiro e ensiná-lo a verificar o que está acontecendo, se não houve falhas por parte do ferreiro. Deve-se corrigir o erro o mais rapidamente possível, pois o cavalo, desequilibrado como está, pode vir a se machucar até gravemente. Os cavalos jovens (principalmente durante a doma e no início de treinamento) estão igualmente sujeitos a este tipo de acometimento, ainda que seus aprumos sejam corretos. A falta de cuidados ou mesmo um excesso de trabalho (fadiga no cavalo adulto) também podem perturbar a locomoção normal do animal. Um mau cavaleiro ou iniciante que carrega demais a mão em sua montaria pode igualmente desequilibrá-la. O pobre animal pode vir, então, a trançar as pernas vindo, em decorrência, a se machucar.
Voltando aos cavalos que apresentam defeitos de aprumos. São geralmente cavalos "cambaios", sobretudo aqueles que têm o peitoral estreito ou joelhos e jarretes convergentes, que embaralham os cascos.
A parte mais tocada é o boleto, o tendão, talão e mesmo a coroa do casco podem vir a sofrerem lesões.
O trabalho de um especialista
Um bom ferreiro pode corrigir os aprumos ou pelo menos atenuar os defeitos do animal? Sim e não.
Não, pois a primeira regra do ferreiro deve ser respeitar os aprumos naturais de um cavalo, ainda que estes sejam ruins. Fora de questão, corrigir de uma só vez, através da aparagem dos cascos, os aprumos do animal. O remédio seria pior que o mal, provocando não apenas lesões, como também patologias articulares e tendinosas.
Mais sim, pois um excelente ferreiro pode melhorar os aprumos de um animal através da ferradura (não pela aparagem do casco, repetimos) apropriada.
Uma ferradura ortopédica, é como uma palmilha ortopédica. Ela alivia o animal das dores provocadas pelas deformações de seus membros sem, contudo, eliminar a causa, ou seja, o defeito do aprumo.
Assim, o que é necessário gravar é que face a um cavalo que se machuca ou que se "toca", não é suficiente se contentar em prevenir os golpes com proteções. É sempre necessário perguntar porque isso acontece. O cavalo regularmente machucado deve receber um exame atento de um veterinário e/ou de um ferreiro especializado para descobrir as anomalias da locomoção que estão provocando estas lesões. E procurar encontrar, se possível, uma solução para remediá-las.
O proprietário pode auxiliá-los no diagnóstico, analisando as circunstâncias em que aparecem as lesões. Deve ficar igualmente atento aos lugares onde estas lesões aparecem.
Um bom truque consiste em retirar as proteções aos poucos, de maneira a verificar os lugares onde o cavalo se alcança.
Esquema 3
Dizemos que um cavalo se "forja", quando a ferradura do posterior bate na ferradura do anterior ou o inverso.
O cavalo que forja (se toca)
Dizemos que um cavalo "forja", quando a ferradura do posterior bate na ferradura dos anteriores, ou o inverso. O choque contra o metal produz uma batida seca que lembra o barulho de forjar, de onde advém o nome dado a este fenômeno. O perigo é se ao invés de bater ferro contra ferro, a ponta da ferradura machuque o membro do cavalo. Um cavalo que "forja" se desferra mais facilmente. Ele "descalça" literalmente as patas dianteiras por causa das batidas das patas traseiras. Em conseqüência, diversos traumatismos podem surgir.
Dizemos, por exemplo, que um animal se forja em arco quando a pinça da pata traseira alcança a parte de baixo da pata dianteira. Neste caso há possibilidade de aparecer um hematoma sob a parte córnea da sola, ou mesmo de ocasionar a queda do cavalo, esta quando a ferradura do anterior se soltar e ficar enganchada na do posterior.
O caso mais grave é aquele do cavalo que se toca nas partes altas de seu casco, já que além das lesões ele pode provocar fraturas do membro. Certos cavalos se contundem igualmente na parede dos cascos posteriores com a pinça da ferradura anterior.
Os cavalos que se forjam são aqueles que os membros anteriores são mais curtos que os posteriores, os cambaios das patas dianteiras
(estranhamente os dos membros traseiros não têm esse problema) e os cavalos de andadura bem ampla, como os trotadores. A conformação do casco é, igualmente, um fator essencial: um talão baixo e uma pinça longa retardam a elevação do pé. O contrário acelera (ver esquemas abaixo). Em todos os casos a desigualdade dos movimentos de se colocar as patas posteriores e levantar as anteriores é que levam o cavalo a se "forja" (alcançar).
A prevenção dos golpes ligados ao alcance consiste em munir os cavalos que são vitimas com espessos cloches. O remédio é o trabalho de um bom ferreiro e se sustenta sobre 3 pontos:
- Facilitar o deslocamento rápido das patas dianteiras a fim de que elas não sejam alcançadas pelas traseiras (menos pinça, mais talão).
- Encurtar um pouco a amplitude do pisar dos posteriores (mais pinça, menos talão).
- Evitar que as ferraduras anteriores não ultrapasse muito o final do casco e que as ferraduras dos posteriores não ultrapassem muito na frente (na pinça) .
Esquema 4
A - Quando a andadura é normal, o casco descreve uma trajetória em arco bem simétrica.
B - Um pé em que a pinça é longa e o talão baixo, descreve uma curva assimétrica, terminando sua trajetória mais cedo do que deveria. O cavalo eleva menos rapidamente seu pé, atrapalhado pelo longo tamanho de sua pinça e fazendo uma andadura mais rasante.
C - Um pé em que a pinça é curta e o talão alto, descreve uma trajetória em que o passo se prolonga mais tempo. Ele decola, em revanche, mais rapidamente seu pé do solo.
Defeitos mais comuns de aprumos e possíveis correções
Quando do exame de um cavalo, promovê-lo parado, em estação (halter) através de visão lateral e visão frontal.
Posição frontal:
1ª- Pinças apontando para dentro
Pés cambaio, periquito, caravalho ou pé de pombo
O animal, gasta mais externamente o casco, assim deve-se aparar a parede interna do casco, da pinça para o talão. Animal pode ter um esforço excessivo nos ligamentos do boleto e quartela.
2ª- Pinças apontando para fora
Pés arqueados, esquerdos
Animal gasta mais o casco por dentro, aparar o casco da forma inversa do pé periquito. Esforço excessivo nos ligamentos do boleto e quartela.
3ª- Alteração a nível de joelho, convergentes
Animal cambaio
Esse animal promove um esforço excessivo nos joelhos, joelhos fechados com desvio medial, esforço nos ligamentos acessórios das articulações. Cortar além da muralha a sola. A princípio mais discretamente possível, pequeno corte e depois mais acentuado.
4ª- Animal aberto de frente
Acomete animais de musculatura peitoral pouco desenvolvida, membros afastados. O peso (força) do animal é jogado mais internamente (concusão das estruturas internas). Ocorre calcificação da cartilagem alar, exostose mediais e ovas mediais.
Acomete todo membro e deve-se recomendar exercícios para desenvolver a musculatura medial .
5ª- Animal fechado de frente
Acontece em animais com musculatura peitoral muito desenvolvida (ex: Q.M.). Levando a contusões externas do membro, calcificação da cartilagem alar lateral, ovas laterais, exostoses laterais.
Correção, corte do casco face interna, murralha do lado menos gasto, até igualar.
6ª- Animal arqueado
Contrário do cambaio, joelhos para fora.
Promover desbalanceamento interno.
Matéria: Dr. Reuel Luiz Gonçalves
Médico Veterinário, Delegado Veterinário da FEI
Fonte: Horse World Brasil |
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(Por: Dr. Thiago Salles Gomes)
PERGUNTA FREQUENTE: O QUE CAUSA O AGUAMENTO?
Quase todos os dias, alguém ligado ou interessado em equinos nos faz esta indagação muitas vezes com um certo pesar no olhar, que indica que a pessoa já presenciou alguma vez o grande sofrimento de um cavalo acometido por esta doença.
Primeiramente, precisamos responder a pergunta implícita: o que é o aguamento? 0 aguamento é, basicamente, a inflamação da lâmina sensível que envolve o osso do casco. E por que dói tanto! Às vezes eu sugiro ao perguntar que imagine as solas dos dois pés bem, mas bem queimadas e tendo que suportar o peso do corpo sem nenhuma chance de qualquer artifício que possa diminuir este apoio. É claro que tentaríamos de qualquer maneira apoiar as mãos para tirar o peso de nossos atormentados pés. É exatamente o que percebemos quando vemos um cavalo aguado dos membros anteriores tentando colocar os membros posteriores bem próximos dos anteriores para aliviar, um pouco, a terrível pressão sobre os cascos machucados. Agora abordamos a pergunta mais comum, em relação à causa do aguamento, explicando que, entre as principais estão: ingestão excessiva de grãos, exercício exagerado em animais despreparados fisicamente, obesidade, retenção da placenta, entre outras cientificamente determinadas. Além disso, suspeita-se, de longa data, (das causas denominadas ‘morais ou psicológicas’ e que consistiriam das situações estressantes em geral, tais como traumas violentos, situações de medo exagerado ou mudanças bruscas no trato ou no ambiente. Quais são os sinais principais desta afecção? Caracteristicamente ou patognomonicamente (como querem os doutos) a posição já descrita acima em que o cavalo coloca os membros posteriores bem à frente (no aguamento dos anteriores somente), encontramos também uma grande alternância de apoio entre uma mão e outra. Encontramos os cascos afetados mais quentes e com pulso palpável das artérias que passam pela quartela. A dor forte faz com que os animais apresentem grande sudorese, tremores musculares, perda de apetite e perda de peso que não precisa necessariamente estar vinculada a perda de apetite (isto é assunto para outro artigo).
Bom, depois dessa falação toda, o principal: 0 que fazer se o seu cavalo está, ou parece estar com aguamento? Primeiramente, chamar o veterinário, uma vez que trata-se de emergência médico veterinária importante. Enquanto o veterinário não é encontrado, para que não haja demora prejudicial, é interessante tirar a ração e, se possível, remover as ferraduras. Fazer uma ducha forte e fria ajuda a diminuir a dor, desde que seja feita em um gramado ou um piso macio, uma vez que o piso duro, cimentado, pode provocar dor insuportável ou piorar o processo. Quando o veterinário chegar e estabelecer o tratamento, é importante orientar os funcionários encarregados e pessoas envolvidas com o equino para que se preparem para um atendimento intensivo e na maioria das vezes longo. Nos primeiros dias, muitas vezes as pessoas chegam a desanimar, uma vez que algumas vezes a melhora é lenta. É importante não desanimar porque muitos cavalos chegam a se recuperar completamente e até voltar a ter o mesmo desempenho atlético, mesmo depois de alguns meses de tratamento intensivo.
NÃO ESQUEÇA: fazer uma ducha forte e fria ajuda a diminuir a dor, desde que seja feita em um gramado ou um piso macio
FONTE:
Revista Horse Business – Edição 49 Maio/99
Alameda Canuri, 107 – CEP 04061-030 – São Paulo-SP
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Os multiplos usos de ferraduras em cavalos Machadores |
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*Lúcio Sérgio de Andrade
Com frequencia, cavalos marchadores necessitam de algum tipo de ajuda mecânica para ser tornarem bons marchadores. Entretanto, esclareço que andamentos impostos não são geneticamente transmissíveis. Portanto, é imprescindivel que a marcha seja natural, o que implica em deslocamentos dissociados. O uso de ferraduras pode ser uma necessidade, em decorrencia da disponibilidade de terrenos duros e pedregosos para treinamento. Em outros casos, o uso de ferraduras tem a finalidade de corrigir defeitos na forma dos cascos, alterar a modalidade de andamento ou incrementar a performance.
Na maioria dos haras, o serviço de ferreiro é desempenhado pelo próprio peão, que nem sempre foi devidamente qualificado. Além do mais, ferrar um cavalo de marcha nem sempre é o mesmo que ferrar um cavalo de trote. Nos cavalos marchadores, pequenas alterações na angulação dos cascos ( especialmente dos cascos anteriores ) e no peso das ferraduras, podem resultar em efeitos drásticos, às vezes desfavoráveis. Um tipo de ferrageamento indicado para um cavalo pode não surtir o mesmo efeito em outro cavalo. O segredo é preservar o maximo da naturalidade, principalmente como forma de prevenir as afecções.
O ferrageamento é conduzido de acordo com a conformação de cada cavalo, no que diz respeito a forma dos cascos; eventual desbalanceamento e/ou desvio de aprumos; ângulo de inclinação das quartelas, ângulo de inclinação das espáduas; ângulo de inclinação das pernas e dos jarretes e eventuais deficiências na marcha.
Para cavalos marchadores, nas modalidades marcha batida e marcha de centro, a angulação média de cascos anteriores é na faixa de 55 graus, sendo mais favoraveis as variações abaixo, até 52 graus, tendo em vista que em direção ao extremo superior há tendência ao endurecimento da marcha, pelo efeito da maior obliquidade das quartelas, que atuam como amortecedores. Nos cascos posteriores, para estas mesmas modalidades de marcha, a angulação sobe para a faixa dos 60 graus, em média. Os cascos posteriores exercem a função principal de impulsionar, e não de apoiar, como é o caso dos cascos anteriores, que nos cavalos marchadores exercem ação extra na tração.
Para cavalos marchadores, na modalidade marcha picada com excesso de lateralidade, até o extremo da andadura desunida, os ângulos tendem a diminuirem, em torno de 50 a 52 graus nos anteriores e 55 graus nos posteriores, ou até menos, pois há uma prevalência de animais acurvilhados nestas modalidades de marcha. Uma curiosidade é que na raça americana Tennessee Walking Horse já foram determinados ângulos de 48 graus para os cascos posteriores e de 52 graus para os cascos anteriores, o que atesta a tendência aos posteriores acurvilhados nesta raça. Já os ângulos para outra raça americana de cavalos marchadores, de nome Missouri Fox Trotting Horse ( marcha do tipo batida ), situam-se na faixa de angulação dos cavalos marchadores brasileiros ( considerando- se todos os tipos de andamentos marchados ) – 52 graus nos cascos anteriores e 55 a 60 graus nos cascos posteriores.
Correções na forma dos cascos:
Os defeitos mais frequentes na forma dos cascos são os talões estreitos (contraídos), talões escorridos ( adiantados ), parede estreita (com mais frequencia na região do quartos), desbalanceamento médio lateral da pinça ou de todo o casco, casco encastelado ( talões excessivamente altos ), casco achinelado ( pinça excessivamente crescida ).
Correções dos desvios de aprumos:
Antigamente, o uso de meia ferradura para a correção de desvios de aprumos era pratica corriqueira. Apresenta a desvantagem de provocar desequilibrios na sustetanção e na locomoção, favorecendo o desenvolvimento de diversos tipos de afecções de membros. A técnica atual é o uso de ferraduras com parafusos nos talões. Gradativamente, aumenta-se a altura, alterando a regulagem de altura dos parafusos. São ferraduras indicadas para as correções de desvios mais acentuados, nos tipos joelhos cambaios e jarretes fechados, ambos prevalentes em raças de cavalos marchadores.
Correções no tipo de andamento:
A correção da andadura desunida ( a convencional é quase que impossivel ) pode ser através do uso de ferraduras pesadas nos cascos anteriores e leves nos cascos posteriores, ou até mesmo não usar ferraduras nos cascos posteriores. Os cascos anteriores também são ferrados com grande crescimento das estruturas ( para aumentar ainda mais o peso em relação aos cascos posteriores, que são devidamente aparados para o ferrageamento ). Outra alternativa é manter os talões mais altos nos cascos anteriores. Um terceiro artificio é o uso de correntes nas quartelas, com proteção de couro, para evitar ferimentos. Todavia, neste terceiro recurso os resultados são imprevisíveis, pois há risco de provocar elevação excessiva dos membros anteriores, com desequiblibrio. Esta seria uma última tentativa, após as duas primeiras terem falhado.
Muitos cavalos de andadura apresentam dificuldade para encartar e manter o galope, especialmente o galope reunido. O treinamento ao galope somente é iniciado após o sucesso na correção da andadura desunida. Raramente, o andamento ensinado será a marcha batida, mas sim uma marcha picada de melhor equilibrio entre apoios laterais e diagonais. De qualquer forma, ainda será uma marcha que proporciona melhor equilibrio de sustentação, relativamente à andadura desunida, o que favorece um pouco mais ao cavalo encartar o galope.
A correção de uma marcha excessivamente diagonalizada é o contrário. Nos cascos anteriores, recomenda-se o uso de ferraduras leves, com angulação mais alta nos talões e pinça mais curta. E nos cascos posteriores ferraduras pesadas, com pinça mais longa e ângulo menor nos talões. A tração pode ser aumentada nas subidas de morros, em estradas de piso preferencialmente regular. As descidas também favorecem a dissociação dos bipedes diagonais. Ao contrário, no caso da correção de andamentos excessivamente lateralizados, as descidas não são favoraveis. Para estas situações, o passo é o andamento melhor indicado.
Particularmente, adoto métodos naturais para correções de imperfeições em andamentos marchados. Caso estes métodos naturais não tenham sucesso, a ultima alternativa será o uso de ferraduras e/ou de correntes com proteção de couro, como forma de prevenir ferimentos.
Uma prática cruel ja foi registrada em muares de marcha trotada ( cruzamento do jumento Pêga, marchador de triplices apoios, com égua da raça Mangalarga, de marcha trotada ). Alguns muladeiros aparam os cascos de membros anteriores até o limite da sola, provocando dor, que por sua vez faz com que o animal marcha apalpando dos cascos anteriores. O desequilibrio na sustentação tende a provocar a dissociação entre bípedes diagonais.
Ferraduras de alta performance:
As ferraduras de alta performance ainda não são rotineiramente utilizadas para cavalos de marcha no Brasil. As tradicionais são as ferraduras de pinça quadrada, que exercem a função básica de proporcionar mais retidão aos deslocamentos, o que se reveste de especial importância nos julgamentos de morfologia, na etapa da avaliação dos apumos. Também servem para melhorar o estilo da marcha, além de eventuais ganhos na regularidade e desenvolvimento. Outros tipos de ferraduras de alta performance são as frisadas, que favorecem a melhor aderência, o que pode ser vantajoso em pistas escorregadias. Os desenhos de frisos são variados.
Independente de qual seja o andamento desejável, ferreiros nunca devem esquecer os princípios que fundamentam esta técnica especializada que é o ferrageamento. Alguns destes princípios:
- As ferraduras devem estar em tamanho apropriado para os cascos, proporcionando suporte homogêneo ao redor dos quartos e talões;
- Não pode haver sobras de ferraduras. Estas são como a continuação dos cascos;
- Não se prepara o casco para a ferradura, mas sim o contrário;
- O ângulo do casco não deve variar mais do que três graus em relação ao ângulo natural, sob pena de provocar afecções. Nestes casos, o cavalo precisa se acostumar com a mudança de angulação, que traz estresse imediato sobre os tendões.
Qualquer artifício tende a representar solução temporária. A solução permanente é selecionar bons marchadores, de cascaria saudavel e bem conformada, bem aprumados, de forte constituição óssea-muscular, submetidos a um manejo profissionalmente conduzido.
* O autor é formado em Zootecnia pela UFLA – Universidade Federal de Lavras-MG, com curso de especialização na Texas A&M University – USA, pesquisador, escritor, produtor de videos tecno-educativos, instrutor de cursos, arbitro de equideos marchadores.
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Casqueamento e ferrageamento |
INDICE
Julio Nottingham
A prática de casquear e ferrar equídeos é um arte milenar.
A cerca de seis mil anos atrás o cavalo entrou na vida do homem e a cerca de treis mil anos antes de Cristo, o homem começou a calçar as patas dos cavalos para montaria, tração, fins de trabalho, guerra e transporte.
A história nos mostra que os primeiros a fazerem isso foram os egípcios e persas.
Aos Egípcios e Persas é creditado o invento das “ferraduras” mais antigas. “Calçados” fabricados com os mais diversos materiais disponíveis na época foram os precursores da ferradura contemporânea. Essa prática pode ter surgido em várias nações na mesma época, uma influenciando a outra.
A bíblia sagrada evidencia o primeiro ferreiro de quem se tem notícia - Tubal Cain (Gen. 4-22).
Os chieneses e mongóis, a cerca de dois mil anos também já protegiam os cascos de suas montarias.
O casco tem características particulares adequadas às necessidades de locomoção do cavalo.
As estruturas internas e externas do casco interagem e formam um sistema de absorção de impacto e expansão, auxiliando também no retorno do sangue venoso que circula na região digital.
Antes da ferradura, um casqueamento coerente é o item mais importante na sustentação dos cavalos. Estou falando de balanceamento do casco, que proporciona ao animal uma correta distribuição do peso em todos os membros.
Durante o casqueamento é importante observar o balanceamento no sentido frontal, lateral e palmar(sola). Estes três tem que estar balanceados em conjunto, de forma a proporcionar ao cavalo um apoio equilibrado e em sintonia com a morfologia individual de cada animal.
Verificando o ângulo frontal devemos analisar qual o ângulo ideal do casco em relação a superfície. Cada cavalo tem uma angulação que está também relacionada ao ângulo da quartela.
Ambos devem ter o mesmo ângulo.
Os aprumos devem sintonizae morfologia e função dos cavalos considerando o equilíbrio do casco em relação ao solo de forma a proporcionar o melhor desempenho possível de forma saudável.
Estes “detalhes” uma vez negligenciados, trarão problemas futuros que comprometerão as articulações, tendões e o desempenho do animal.
Durante a aparação do casco devemos observar:
1 – Limpeza e retirada do excesso de material da sola
2 - A aparação das bordas da parede deve ser feita considerando principalmente o balanceamento e não a quantidade de material.
3 – O casco deve tocar a superfície todo por igual, desde os talões até a pinça.
4 – 60% do apoio deve ficar na parte posterior do casco.
5 – Respeitando-se a angulação do casco devemos preservar a altura dos talões, que nunca devem ser baixos. Desta forma proporcionaremos mais ventilação e menos risco de lesões na ranilha e sola.
6 – Os talões são importantíssimos para o balanceamento antero-posterior e lateral. Talões preservados nos dão condição para executar um balanceamento correto.
7 – A ranilha nunca deve ser cortada em excesso. Ela funciona como uma junta de dilatação do casco e também auxilia no bombeamento do sangue venoso. Retirar a ranilha em excesso pode causar contratura e ressecamento.
7 – Não confundir balanceamento com correção de aprumo.
Julio Nottingham
Bibliografia:
Curso Básico de Casqueamento e Ferrageamento
Dr. Edson Pagoto – Médico Veterinário
Especialista em aparelho locomotor e ferrador
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É feito com a finalidade de:
Proteger – Ferraduras normais, comerciais ou feitas a mão tem a finalidade de proteger e dar mais aderência para prática de atividades diversas.
Correção – Ferraduras especiais que tem a função de corrigir desvios de postura e apoio.
Tratamento – Ferraduras que tem a função de auxiliar no tratamento de doenças que afetam os cascos e o membro.
Em qualquer atividade devemos escolher a ferradura adequada. A ferradura deve cobrir todo o casco.
Julio Nottingham
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Dr. Edson Pagoto – Médico Veterinário
Especialista em aparelho locomotor e ferrador
ALGUNS TIPOS DE FERRADURAS E SUAS APLICAÇÕES |
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Ferradura Oval
Utilizada em casos de síndrome do navicular, animais com quartelas longas e animais com cascos achinelados.
Ferraduras de balanço
Essencial em animais que se alcançam auxiliando no aumento a velocidade do vôo do casco nos membros anteriores; alivia o stress dos tendões flexores; ideal para animais que fazem longas caminhadas.
Ferraduras de pinça rolada
Possui o mesmo efeito da ferradura de balanço e é utilizado em animais de provas de velocidade e também para esbarro.

Ferradura com extensão lateral – merdial
Utilizada em cascos desbalanceados.
Ferraduras alongadas
Utilizadas em animais que tem o eixo podo - falangeano mais baixo. Promove melhor apoio da parte posterior do casco. à
Ferradura de esbarro
Utilizada em animais de rédeas e laço
Ferradura com Trailer
Utilizadas em animais:
- Com cascos muito pontudos
- Melhoram o ponto de quebra do casco
- Auxilia na movimentação fazendo com que o casco saia reto do chão
- Pode ser usada tanto nos anteriores quanto nos posteriores
Ferradura de pinça reta
Utilizadas em animais com cascos muito pontudos; melhoram o ponto de quebra do casco; auxilia na movimentação fazendo com que o casco saia reto do chão; pode ser usada tanto nos anteriores quanto nos posteriores
Palmilhas e talonetes
São feitos de poliuretano, borracha ou couro.
São usados entre a ferradura e o casco
A utilização desses acessórios é indicada em casos de animais com tendinites agudas
Animais que possuem diferenças gritantes no comprimento de um membro e outro.
Julio Nottingham
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Dr. Edson Pagoto – Médico Veterinário
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O casqueamento de potros requer atenção especial pois é nesta fase que podemos intervir quanto a problemas de desvios.
Nos potros sempre há um certo grau de abertura dos membros que vai diminuindo conforme o crescimento e amadurecimento da estrutura óssea.
É importante que o ferrador tenha conhecimentos técnicos para observar detalhes como este para não prejudicar o potro com intervenções desnecessárias.
Quando necessário intervenções para correção de desvios isso deve ser feito até os nove meses de idade. A partir desta idade as epífises ósseas já estão calcificadas e não é mais possível corrigir totalmente.
Julio Nottingham
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Dr. Edson Pagoto – Médico Veterinário
Especialista em aparelho locomotor e ferrador
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A pessoa que vai efetuar uma correção deve ser experiente e estar habituada e treinada para observar desvios. Muitas vezes uma intervenção mau executada pode complicar ainda mais o problema.
As correções podem ser feitas através de ferrageamento com ferraduras de ferro, poliuretano ou resina e também com casqueamento corretivo, mudando-se o ponto de quebra nos desvios mais leves.
O uso do desbalanceamento corretivo é perigoso, não atinge o resultado desejado e causa ainda mais desconforto ao animal.
Nos casos mais graves é utilizado a cirurgia com colocação de grampos, ou circuncisão do periósteo.
Julio Nottingham
Bibliografia:
Curso Básico de Casqueamento e Ferrageamento
Dr. Edson Pagoto – Médico Veterinário
Especialista em aparelho locomotor e ferrador
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Laminite é uma doença vascular periférica manifestada por uma diminuição na perfusão capilar no interior do casco.
Equivocadamente laminite é definida como a inflamação das lâminas sensitivas do casco. Na verdade, essa é uma patologia mais complexa.
As causas podem ser
- Alimentação: mudança na dieta e super alimentação.
- Toxemia: Retenção de placenta
- Medicamentos: Alto nível de esteróides
- Transportes : longas viagens
- Esforço físico: Exercícios ou trabalho excessivo.
Sintomas
- Animal fica debilitado
- Dor ( quando há movimento)
- Dor à palpação com a pinça de casco
- Pulso digital acelerado
- Calor na parede do casco e coroa
- Animal melhora com a aplicação de bloqueio nos nervos digitais anteriores e posteriores.
Tratamento
De eleição:
- Anti - inflamatórios não esteróides
- Vaso dilatadores periféricos
- Duchas frias e aplicação de compressas de gelo nos cascos auxiliam a redução do edema.
- É comum vermos algumas pessoas fazerem o uso da sangria (CUIDADO!!!).
Tratamento auxiliar
- Casqueamento
- Ferrageamento com ferradura de coração
- Utilizadas principalmente em casos de aguamento
- Podem ser utilizadas em casos de colapso de talões e cascos achinelados
Julio Nottingham
Bibliografia:
Curso Básico de Casqueamento e Ferrageamento
Dr. Edson Pagoto – Médico Veterinário
Especialista em aparelho locomotor e ferrador
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A P Toledo
O casco voa para onde a pinça aponta
Cambaios e piriquitos são os animais de pinça divergente, no primeiro caso, e convergentes, no segundo caso.
A razão de tudo isto começa na amamentação do potro, quando o bichinho cresce diariamente, de forma acentuada nos 6 primeiros meses de vida e a barriga da égua, pelo que sabemos, não sobe nem um pouquinho para facilitar a “mamada” do potro.
Como resultado os jovens animais abrem as mãos e fecham os jarretes para alcançar o mojo da égua e conseguir a sua alimentação. Sendo assim, quase sempre, os cascos forçam e gastam mais do lado interno e as articulações se acomodam em posições, nem sempre ideais.
Por isto, o primeiro diagnóstico e a correção de aprumos, feitos por ocasião da desmama, o mais precoce possível, devem procurar atenuar os defeitos de aprumos verificados. Nesta ocasião, os cascos são, em geral, bem formados com estética da sola igual ou próxima do ideal, numa proporção animadora para o criador. Mas, ao contrário, quanto aos aprumos, vemos que os animais superiores são a minoria e quase todos vão precisar cuidados.
Quando chega a época da doma, entre dois e três anos de idade, e verificamos que as pinças estão divergindo ou convergindo, a correção da locomoção necessita da chamada “muleta” para corrigir o efeito, porque a causa já se consolidou após os 18 meses de idade, com o fechamento das epífises nas articulações.
A muleta é o balanceamento que deve acontecer em todo ferrageamento consciente e corretivo. Como ninguém duvida do prumo do pedreiro, para colocar a parede na vertical e nem do pêndulo do relógio, a coisa deve ser conduzida da seguinte maneira.
A pinça voa para o lado mais pesado do casco, como no pneu do automóvel, pois no caso da pinça aberta, o casco gasta mais o talão medial e cresce mais na lateral do que no seu lado medial.
No pneu a gente coloca pesos extras de chumbo para “balancear”. E nos equïdeos, como fica?
O bom ferrageamento necessita de balanceamento para colocarmos peso na ferradura do lado necessário. Para isto, uma boa ferradura deve ter, pelo menos, 5 furos de cada lado e furos nos talões para o uso de calços e talonetes. Os furos adicionais vão receber cravos que serão os pesos adicionais, como no pneu. Cada 2 cravos a mais representam dezenas de gramas no lado medial ou lateral.
Como todo defeito de pinça está casado com um problema de balanceamento de casco, que depende do alinhamento dos talões, entram em ação o peso e os calços, colocados no lado medial ou lateral da sola, de acordo com o aprumo médio-lateral do membro ou com o talão a ser equilibrado.
Juntamente com o ângulo do digital que deve ser obtido com a aparação da sola ou com a ajuda de talonetes em ambos os talões, para atender o posicionamento da paleta (aprumo ântero-posterior), os cravos e calços entram para ajudar no balanceamento médio-lateral.
Um ferrageamento com 5 cravos no lado medial e outros 3 na lateral, complementado por canais da ranilha bem arejados e concavidade ideal da sola, que garantem um ferrageamento corretivo e uma condição anatômica ideal para o equïdeo.
Se você acredita no balanceamento dos pneus do seu carro, não duvide que a sua mula ou o seu cavalo de esporte precisam muito dele também. É a muleta que atua na locomoção. E quanto mais rápido o animal marcha, trota ou galopa, maior o efeito do peso adicional.
Mas, se você só usa as tradicionais ferraduras com 3 e 4 furos, a correção fica difícil e o ferrador sem conhecimentos ou por não possuir o material certo, acaba fazendo o serviço incompleto e “ferra o dono e o cavalo”.
Bibliografia: A P Toledo
PINÇA COMPRIDA E TALÕES BAIXOS |
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A SÍNDROME DA DOMESTICAÇÃO – A P Toledo
Com os estudos da biomecânica da locomoção dos eqüinos ficou comprovado que os métodos de aparação de cascos de ferrageamento, empíricos e que não respeitam a condição anatômica ideal dos cavalos, mantêm as pinças compridas e os talões baixos.
Este método de aparação utilizado por falta de conhecimento ou por modismo é prejudicial à vida útil dos vários tecidos que compreendem o sistema locomotor, diminuindo a performance e a vida útil dos cavalos atletas.
As estatísticas mostram que, de cada 100 problemas diagnosticados nos locomotores, 80% estão nos membros anteriores e a grande maioria do joelho para baixo.
A grande causa é a falta de alinhamento do sistema digital devido ao ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta com a horizontal.
A pinça longa e os talões baixos, ocasionados pelo ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta ou escápula, provoca um esforço maior de sustentação nos tendões flexores, ou seja, um braço de alavanca maior para suportar o peso de cima para baixo, que tenta jogar o boleto até o chão.
Os cavalos mais afetados são os atletas em corridas, salto, laço, esbarro, tambor e apartação, que usam os anteriores na propulsão ou paradas bruscas.
O stress é maior no tendão flexor profundo devido ao atrito na região dos ossos sesamóideos e navicular.
Imagine o esforço no membro dianteiro em uma remada de mão do cavalo de corrida na reta final, um esbarro de quarto de milha quando o laço tem um novilho preso em sua ponta ou o esforço da puxada para virar o boi em uma vaquejada.
Quanto vale errar alguns graus na aparação do casco de um cavalo?
A tabela a seguir mostra que cada grau de achinelamento equivale a dezenas de quilogramas a mais nos tendões flexores.
Coisa que poucos profissionais têm noção.
Os valores a seguir foram estimados para um cavalo atleta de porte médio - 500 Kg de peso vivo (PSI ou BH).
Os efeitos podem ser maiores nos animais para hipismo e tração de grande porte.
ALÍVIO MÉDIO DOS TENDÕES FLEXORES DIANTEIROS COM O ALÇAMENTO DE TALÕES DE UM
CAVALO DE HIPISMO
Ângulo Digital .........Alçamento em graus ..........Alívio tendões(Kg)....... Alívio (%)
40 ........................40>>60 = 20 ...................129,5........................ 37
45........................ 45>>60 = 15 ...................112,0........................ 32
50 ........................50>>60 = 10 ....................87,5......................... 25
55 ........................55>>60 = 5......................49,0 ......................... 14
58 ........................58>>60 = 2 .....................17,5 ......................... .5
59 ........................59>>60 = 1 .....................10,5............................3
(*) Fonte A .P.Toledo - Alívio nos tendões anteriores de animal de 500 Kg de peso vivo com 350Kg nos anteriores (em repouso), com condição anatômica de 60 graus (inclinação de escápula) e cascos anteriores de comprimento 15 cm.
CONCLUSÃO:
1 - Respeite a condição anatômica ideal do seu cavalo.
2 - Conheça o ângulo da paleta e procure aparar o casco monitorando o serviço com um gabarito angulador de casco.
3 - Desconfie do profissional que diz ter olho clínico e que não apresenta maiores conhecimentos de sustentação e locomoção.
4 - O erro de apenas 1 grau representa muitos quilos a mais nos tendões flexores do seu cavalo.
5 - O cuidado consciente da aparação e do ferrageamento aumenta a performance do animal e diminui o risco de afecções.
6 - Devolva sempre o verniz raspado pelas ferramentas de aparação.
Use o Cascotônico que devolve o verniz, tem ação lubrificante, bactericida e incentivadora do crescimento e renovação da matéria córnea do casco e ranilha.
7 - Com uma aparação adequada dos cascos e com a escolha das ferraduras e dos cravos que atendam as necessidades do cavalo o seu animal terá o máximo de performance com o mínimo de afecções.
Bibliografia – A P Toledo
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A broca acontece na coroa ou sola do casco
Um cavalo começa a mancar. Aparentemente nada pode ser visto. Nenhum prego foi pisado, nenhuma contusão aparente. Dia vai, dia vem, às vezes uma melhora, que não dura muito. As contusões do casco, seja na coroa ou na sola, são as causadoras dessas "manqueiras repentinas", comumente denominadas de broca. Não há muito como evitá-las, seja em campeões ou em cavalos de pasto. Ela aparece igualmente para todos.
Seu principal sintoma é uma manqueira que aparece sem muito propósito. Ou seja, se o cavalo manca e está com o ferrageamento em dia, não sofreu nenhuma contusão e, obviamente, não está com um prego na sola do casco, deve-se suspeitar da broca. Um dos maiores problemas em se detectar a broca é, justamente, saber em que parte do casco ela está localizada. Para isso há duas saídas: usar uma pinça de casco em que o veterinário ou ferrador descobre onde está mais dolorido, ou pela temperatura do casco. Normalmente o local atingido fica mais quente, quase que febril.
Outra técnica muito usada é o "cataplasma", uma espécie de compressa feita com linhaça quente em que se "matura" a broca até que ela estoure pelo casco. Em caso de manqueira, a broca deve ser sempre uma das primeiras hipóteses. Muitos animais acabam sendo radiografados em busca de uma contusão óssea mais séria e, após algumas centenas de reais gastos, eis que surge a broca.
Depois de localizada, deve-se "abrir a broca". Ou seja, corta-se o casco do animal até achar a parte necrosada. Esse pedaço "estragado" pode tanto ser pequeno como ocupar quase toda a sola. Se houver infecção, é aconselhável a drenagem diária com um líquido desinfetante e adstringente (ex.: líquido de Dakin, solução de permanganato de potássio), retirando todo o material contaminante e tecido necrosado. Após esta lavagem, pode-se aplicar iodo diluído a 10%. Após aberto o casco e limpada a broca, coloca-se um algodão embebido neste iodo e enfaixa-se o casco com uma liga-crepe, fazendo uma "botinha". Este curativo deve ser repetido diariamente du rante uma semana. Caso o casco não tenha sido muito prejudicado, é possível ferrar o animal em seguida. Havendo contaminação, é preciso verificar se o animal está com a va cinação anti-tetânica em dia e, em caso de dú vida, aplicar uma dose de soro anti-tetânico.
NÃO CONFUNDA.
Às vezes, confundimos os termos "broca" e "podridão da ranilha". Esta última é uma afecção degenerativa da ranilha, com envolvimento de diversos microorganismos, causando amolecimento e destruição dos tecidos da ranilha, com produção de secreção necrótica enegrecida e odor pútrido. Esta doença se relaciona à falta de higiene no manejo dos animais. As lacunas na ranilha causadas pela necrose são por alguns chamadas erroneamente de broca.
Na verdade, a "broca" é uma lesão, geralmente asséptica (sem presença de microorganismos contaminantes) da parede e/ou da sola do casco, de origem traumática.
Através dos tratamentos mencionados (cataplasmas, intervenção do ferreiro), e às vezes espontaneamente, ocorre a abertura do abscesso, com drenagem da secreção acumulada e alívio imediato da dor.
As contusões da região coronária geralmente se relacionam a aprumos deficientes e ferrageamento incorreto, levando a defeitos na marcha, com o animal se alcançando ou se tocando. Também podem ocorrer lesões perfurantes na região (através de gravetos ou bambus, por exemplo); sendo pequeno, este ferimento pode até passar despercebido, fechando-se superficialmente e dando início a uma infecção fechada, com os sintomas descritos acima.
Já as contusões da sola ocorrem conseqüentes ao choque contra uma estrutura dura - pisando em uma pedra, por exemplo, ou por ferrageamento inadequado, ou simplesmente pela marcha em terrenos duros e irregulares.
Bibliografia: "Enfermidades dos Cavalos", Armen Thomassian
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